Quem são os book bloggers, booktubers e bookstagrammers de Portugal?

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São book bloggers, booktubers, bookstagrammers. E trouxeram a magia dos livros para o mundo das redes sociais. Queres conhecer quem nos fala de livros na era digital?

RECOMENDAÇÕES PARA ESTE NATAL
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Estou Viva, Estou Viva, Estou Viva
“Estou completamente apaixonada por este livro. Tenho a certeza de que não vai desiludir ninguém e será um excelente presente de Natal.” – Cláudia Oliveira
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Cem Anos de Solidão
“Um grande clássico que nos fala do amor, da família, da vida e de um sentimento universal que é a solidão.” – Cátia Vieira
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Contos Escolhidos
“Puxam pela imaginação de miúdos e graúdos.” – Sandra Pinto Barata
 As-Servicais
As Serviçais
“Uma história incrível passada no Mississippi, nos anos 60, sobre amizade e preconceito racial.” – Sandra Pinto Barata
 Capitaes-da-Areia
Capitães da Areia
“Uma das histórias mais bonitas e poéticas que já li.” – Sandra Pinto Barata

Se tivesse nascido neste século, Edgar Allan Poe seria um influenciador digital? Ou Harold Bloom? Ou Fernando Pessoa? Não é fácil imaginá-los neste papel. Mas os tempos mudaram. E agora também é nas redes sociais que se fala de livros.

Veja-se o exemplo de Christine Riccio, uma americana que se transformou numa autêntica celebridade quando criou o canal de YouTube polandbananasBOOKS com o único propósito de falar dos livros que lia. A youtuber – ou, melhor dizendo, booktuber – conta hoje com quase 400 mil seguidores e um total acumulado de 64 milhões de visualizações.

Outro exemplo: John Green. Esse mesmo, um dos mais populares escritores de young adult da atualidade. Antes de se aventurar em A Culpa é das Estrelas, Green já tinha um canal no YouTube (vlogbrothers), em conjunto com o irmão, onde se entretinha a falar – com o seu alucinante ritmo habitual – dos livros que lia.

Claro que isto dos influenciadores digitais não se limita aos Estados Unidos. Podemos falar em projetos como Las Palabras de Fa (México), Andreo Rowling (Espanha), Pam Gonçalves (Brasil). Mas também temos casos de sucesso em Portugal.

Cláudia Oliveira é um deles. Mais conhecida como A Mulher que Ama Livros, está no Facebook, no YouTube, no Twitter e tem um blogue, mas confessa que atualmente até se considera mais bookstagrammer – isto é, vê no Instagram a sua rede principal.

Criou o projeto em 2012, depois de descobrir um canal brasileiro no YouTube dedicado a livros clássicos que lhe aguçou a vontade de partilhar a sua paixão: “Sentia falta de pessoas com quem pudesse falar sobre este amor, porque no meu círculo de amigos não havia leitores. Queria trocar impressões, mostraras novas aquisições e encontrarmais amantes de literatura.”

Considera que valeu a pena. “Há uma enorme curiosidade para conhecer as novidades, receber sugestões e criar o hábito da leitura. Há um crescente interesse por parte dos leitores em falar com outros leitores.” Também por isso, criou um clube literário no Instagram (#netbookclub) – tal como a blogger Helena Magalhães faz com #hmbookgang.


PROCURAM-SE OUTROS APAIXONADOS POR LIVROS


Sandra Pinto Barata não hesita em referir o nome de Cláudia como uma das principais inspirações na criação do seu próprio projeto: Say Hello to My Books. O de Cláudia e o da brasileira Tatiana Feltrin (Tiny Little Things). “Fazia maratonas a ver os vídeos delas e ficava deliciada a ouvi-las falar de livros. Foi aí que decidi que queria ter um espaço meu.”

Começou por criar um blogue e expandiu-se para o Instagram, que até é onde hoje se sente mais próxima de outros leitores. “Acredito que vai continuar a existir um público fiel a blogues literários. Quem tem interesse em ler opiniões, reflexões sobre literatura, entrar em  desafios literários, vai sempre guardar um tempinho para ler blogues do género. Mas sem dúvida que foi o bookstagram que criou uma verdadeira  comunidade  de leitores on-line. A interação é constante e a troca de opiniões e sugestões de livros é enorme.”

A procura desta comunidade foi, de resto, a principal razão para Sandra criar o seu cantinho digital: “Sentia necessidade de partilhar a minha opinião, falar sobre os personagens, conhecer outros pontos de vista sobre a mesma história.”

Foi também este o caso de Cátia Vieira, que tem um blogue bilingue (português e inglês) e uma página de Instagram (com mais de 12 mil seguidores) sugestivamente intitulados Books Turn You On.

Cátia queixava-se de não encontrar facilmente pessoas com quem discutir livros: “Lembro-me de terminar certos romances que desencadeavam tantas questões e de sentir frustração por não ter ninguém com quem partilhar as minhas ideias.” Até que se deparou com um projeto americano chamado Book Baristas no Instagram. “Apesar de termos géneros distintos, apaixonei-me pelo conceito.”

Vai daí, criou os seus próprios espaços on-line e surpreendeu-se agradavelmente com a resposta do público. Hoje não tem dúvidas: “Esta comunidade tem um papel preponderante na escolha e aquisição de novas leituras.” A confirmar-se, e apesar de ultimamente muito se debater o papel nem sempre benéfico das redes sociais na partilha de ideias, parece que o mundo digital dos livros ainda vai conseguindo aproveitar as suas vantagens.


Por: Tiago Matos

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