Em Revelação: BOCA

TOP 3
BOCA

Guia das Aves de Aquilino Ribeiro
Ana Isabel Queiroz

Nesta antologia de excertos da obra aquiliniana descrevem-se mais de 60 aves selvagens, os seus habitats e a sua relação com o Homem. O CD áudio que a acompanha regista a leitura de 25 desses excertos pela voz do reconhecido jornalista da TSF, Fernando Alves.

Nós, os de Orpheu
Álvaro de Campos, Ângelo de Lima, Camilo Pessanha, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro, Raul Leal

Esta é uma coedição BOCA/Casa Fernando Pessoa, lançada em 2015 para assinalar os 100 anos da revista Orpheu. É uma edição bilingue, que inclui o catálogo da exposição homónima da Casa Fernando Pessoa, uma antologia literária de Orpheu e pós-Orpheu e dois CD.

Poemas para Bocas Pequenas
Margarida Mestre e António Pedro (texto) e Marta Madureira (ilustrações)

Este é um livro de poesia, onde podemos encontrar um jogo de sons e sentidos que procuram despertar o pensamento, a imaginação, a voz e o riso, entre outras emoções. A acompanhar os poemas encontramos ilustrações e canções.

Fotografia: Bruno Colaço/4SEE

Fundada em 2006, a BOCA quis ser mais do que uma editora convencional. Apostou nos audiolivros, mas não se limita a este mercado. Vive da complementaridade entre texto, voz e ilustrações.

A BOCA – Palavras que Alimentam nasce numa aula de História do Livro que uma das fundadoras frequentava. Quando o professor fala em bibliotecas de cegos com estantes cheias de cassetes, a imagem torna-se fascinante. Oriana Alves, que fundou a editora em conjunto com Michele Amaral e João Mota (que entretanto saíram do projeto), explica que foi esta imagem que acabou por mudar o primeiro plano – o de fundar uma editora convencional. “A ausência de audiolivros em Portugal e a promessa que as novas tecnologias nos davam de facilidade na fruição desse formato editorial fizeram-nos mudar de ideias. O aparecimento do nome (BOCA), qual epifania, transformou o plano num desígnio, uma missão. E aqui andamos.” Desde 2006.

Mas o que realmente diferencia a BOCA? “Fazemos o público ler através dos ouvidos e também dos olhos, porque não resistimos a juntar ao CD (ou ao mp3, na versão digital) o livro (ou o e-book).” Mas nem todas as edições da BOCA são audiolivros no sentido restrito do termo. Têm também edições em que texto e áudio não se repetem mas se complementam, e CD estritamente de música (Há Fado na Mouraria e Cantar Paredes, por exemplo), acompanhados de livros com textos sobre as canções e os seus autores.

O mercado português

Nuno Morão juntou-se ao projeto em 2010 e hoje define, em conjunto com Oriana, a estratégia da BOCA em Portugal. “Este é um projeto de duas pessoas e de uma comunidade crescente de autores, intérpretes, músicos, designers, ilustradores e tradutores, gente talentosa que a cada edição se junta a nós na criação de uma nova obra”, explica. Relativamente ao mercado português, Oriana vê espaço de crescimento: “Acreditamos que o mercado potencial é considerável, mesmo tendo em conta o contexto económico dos últimos anos e os baixos índices de leitura, porque a maior fatia de ouvintes de audiolivros vem do público que lê e compra livros.” A fundadora considera que o maior desafio está em despertar o gosto pela leitura, principalmente naqueles que hoje andam mais afastados desta.

Despertar o sentido de escuta

Com 10 anos no mercado e mais de 18 edições publicadas – três das quais apenas em formato digital –, a BOCA tem como desafio despertar o sentido da escuta. “O prazer tátil dos livros é hoje mais um fetiche de uns quantos do que um verdadeiro requisito para a leitura”, explica Oriana. Os responsáveis assumem o desejo de levar a BOCA até onde for possível e, se possível, encontrar um mecenas que faça a editora crescer ainda mais.


“Fazemos o público ler através dos ouvidos e dos olhos”


Por: Catarina Sousa

Gostou? Partilhe este artigo: