José Eduardo Agualusa: a voz da literatura angolana

José Eduardo Agualusa

Naturalidade
Huambo, Angola

Data de nascimento
13 de dezembro de 1960

Primeiro livro publicado
A Conjura (1988)

 

A Conjura

 

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Estação das Chuvas

 

Nação Crioula

 

Teoria Geral do Esquecimento

 

A Sociedade dos Sonhadores Involuntários

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Um dos mais importantes autores lusófonos da atualidade, José Eduardo Agualusa tem-se vindo a destacar com romances que percorrem o mundo, mas que estão sempre centrados nos personagens.

José Eduardo Agualusa nasce em Angola, filho de pais portugueses, e é ainda jovem que se muda para Portugal, a fim de estudar Agronomia e Silvicultura. No entanto, rapidamente orienta a sua carreira para o jornalismo, passando a colaborar, entre outros, com o jornal Público.

A aproximação às letras faz-se também na área da ficção. Após uma primeira incursão pela poesia, lança-se na prosa. Dá os primeiros passos no DN Jovem, suplemento juvenil do Diário de Notícias destinado ao lançamento de jovens talentos na área das letras. É através de Manuel Dias, então coordenador do projeto, que o manuscrito do seu primeiro romance, A Conjura, vai parar às mãos de um editor. Publicado em 1988, o livro acaba por lhe valer o Prémio Revelação Sonangol.


“Escrevo para saber o que vai acontecer. Sigo os personagens. Nunca faço planos.”

José Eduardo Agualusa

Seguem-se contos, novelas, novos romances, livros infantis e peças de teatro. E José Eduardo Agualusa vai-se afirmando, gradualmente, como um dos mais importantes nomes da literatura lusófona, o que lhe permite obter, no espaço de cinco anos, três bolsas literárias.

Os seus livros percorrem várias realidades, quase sempre inseridas no mundo lusófono, mas estão mais centrados em personagens do que em lugares. Alguns dos romances que escreve dão igualmente a conhecer figuras reais – mas à partida menos conhecidas – da História, como a poetisa Lídia do Carmo Ferreira (em Estação das Chuvas) ou a rainha Ana de Sousa (em A Rainha Ginga).


“A História é um conjunto de ficções que chegou até nós. As crónicas e documentos publicados na época são também versões. Tudo são versões. Nunca saberemos o que aconteceu realmente.”

José Eduardo Agualusa

As distinções sucedem-se: Nação Crioula (1997) vence o Grande Prémio de Literatura RTP; Fronteiras Perdidas (1999) o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco da Associação Portuguesa de Escritores; Estranhões & Bizarrocos (2000) o Grande Prémio de Literatura para Crianças e Jovens da Fundação Calouste Gulbenkian; e O Vendedor de Passados (2004) o Prémio Independente de Ficção Estrangeira do jornal britânico The Independent.

Não obstante, um dos principais reconhecimentos à carreira de José Eduardo Agualusa surge não na forma de um prémio, mas de uma nomeação. Isto porque, em 2016, o autor foi um dos seis finalistas do prestigiado Man Booker International Award, pelo romance Teoria Geral do Esquecimento. Acabaria por ser a sul-coreana Han Kang a distinguida, mas a ocasião revelou que o mundo está atento à escrita do autor angolano e, já em 2017, voltou a ser nomeado para um importante prémio internacional: o Dublin Literary Award.

José Eduardo Agualusa é ainda membro da União dos Escritores Angolanos e divide o tempo entre Angola, Portugal e Brasil, participando como cronista em publicações de todos eles. O autor tem-se ainda assumido como um dos mais vocais oponentes ao regime político atualmente em vigor em Angola. Os seus livros estão traduzidos para 25 línguas.


Fotografia: Pedro Loureiro

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