Autor do mês: Yuval Noah Harari, o pensador do século XXI

Yuval Noah Harari 

Naturalidade
Qiryat Atta, Israel

Data de nascimento
24 de fevereiro de 1976

Primeiro livro publicado
Sapiens (2011)

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Depois de ter falado sobre o passado em Sapiens e sobre o futuro em Homo Deus, o novo livro do historiador israelita, 21 Lições Para o Século XXI, apresenta-nos o… presente. Descobre aqui como conseguiu Yuval Noah Harari tornar-se um dos mais conhecidos pensadores do século.

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Yuval Noah Harari medita todos os dias

Em novembro de 2016, quando Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos e o mundo andava um alvoroço, Yuval Noah Harari optou por se manter completamente tranquilo num retiro de meditação. Tanto que a notícia só lhe chegou aos ouvidos em janeiro de 2017, quando o novo presidente tomou posse. A meditação é, de resto, o El Dorado de Yuval Noah Harari. Quando, na viragem do milénio, um amigo lhe sugeriu que praticasse Vipassana – um tipo de meditação budista – a sua vida mudou. Desde aí, medita duas horas por dia e todos os anos faz um retiro de pelo menos um mês. Diz que não conseguiria escrever sem a ajuda da meditação.


Yuval Noah Harari não usa telemóvel

Desde setembro de 2017 que o autor não usa smartphone – o seu marido dorme com um na cabeceira da cama e, como ele mesmo diz, isso é suficiente. Para Yuval Noah Harari, a tecnologia vai passar a conhecer-nos melhor do que nos conhecemos a nós próprios. Talvez por isso viva num moshav em Israel, uma comunidade agrícola com mais de 400 hectares onde vive em conjunto com mais de mil agricultores autónomos. Embora alguns considerem pessimista esta visão do israelita, a distância a que se coloca da tecnologia permite, diz ele, salvaguardá-lo de perigos futuros.


Yuval Noah Harari é casado com o seu agente

“Pela boca morre o peixe”, um ditado tão português mas que se aplica a histórias do outro lado do mundo. Esta vem de Israel e começa quando Yuval Noah Harari se apaixona pelo marido, Itzik Yahav, seu agente e gestor. A parte irónica é que o homem que não usa telemóvel, que contratou quatro pessoas para o ajudarem a gerir os seus e-mails e que é um pessimista assumido sobre o futuro da tecnologia conheceu a sua cara-metade no ciberespaço e chama-lhe agora a sua “Internet de todas as coisas”. Viviam a uma rua de distância e já se tinham sentado dezenas de vezes no mesmo autocarro, mas só quando a relação ficou on-line é que as borboletas no estômago começaram a surgir. Casaram-se em 2002, no Canadá, uma vez que Israel não permite casamentos homossexuais.


Yuval Noah Harari sabe distinguir a ficção da realidade

A história de que os rapazes apenas gostam de raparigas foi das primeiras ficções que Yuval Noah Harari diz ter conseguido desmistificar – apercebeu-se enfim que era apenas uma história inventada pelos humanos e que “se algo existe, então é natural”. O israelita diz que o segredo para se ser um bom académico reside precisamente na capacidade de distinguir entre a realidade e as histórias inventadas pelos homens. É este exercício que pratica quando faz investigação científica. Talvez por isso seja ateu. Ainda assim, não tira o mérito a ficções como a religião que, diz, foi um dos fatores mais importantes para o Homo Sapiens se tornar a espécie dominante.

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Sapiens: História Breve da Humanidade

A história de como o Homem conseguiu dominar o mundo vendeu mais de oito milhões de exemplares e foi traduzida para mais de 50 idiomas no espaço de sete anos. O livro, que será adaptado ao cinema pelo norte-americano Ridley Scott e pelo documentarista britânico Asif Kapadia, fê-lo tornar-se vegan ao perceber a forma como os animais são tratados na indústria da carne e dos laticínios. Conquistou leitores como Mark Zuckerberg, Barack Obama e Bill Clinton.

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Homo Deus: História Breve do Amanhã
Será que o futuro do mundo representa o fim do Homo Sapiens? É o que Yuval Noah Harari explora neste livro, apresentando-nos a sua visão do futuro, que inclui prognósticos como “Os principais produtos da economia do século XXI não serão têxteis, veículos e armas, mas sim corpos, cérebros e mentes”, “Nos próximos séculos, ou os seres humanos se destroem a eles mesmos ou evoluem para algo completamente diferente” e “Computadores altamente inteligente poderão [criar uma] ‘classe inútil’ [e] tornar possível a criação de ditaduras digitais”.

 

Por: Tatiana Trilho

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