As 5 lições mais importantes do gato Bob

gato-bob-revista-estante-fnac

Na primavera de 2007, James Bowen, um músico de rua toxicodependente da zona de Londres, encontrou um gato vadio, ferido e doente. Chamou-lhe Bob. Não lhe passava pela cabeça que, como num qualquer conto de fadas, o animal lhe haveria de salvar a vida. Bowen cuidou de Bob até à sua completa recuperação e este, por sua vez, inspirou-o a dar um novo rumo à sua vida, ensinando-lhe importantes lições. Como estas que retiramos do seu mais recente livro O que Aprendi com Bob.


TODOS PRECISAMOS DE SER NÓS PRÓPRIOS

Enquanto passeavam num parque londrino, Bob escondeu-se atrás de um arbusto e regressou com um pequeno rato entre os dentes, algo que evidentemente perturbou Bowen. O rato lá acabou por conseguir escapar, mas a cena evidenciou uma verdade importante: a de que somos todos seres imperfeitos, sujeitos à nossa natureza, pelo que não faz sentido tentar transformar os outros em algo que não são. Bowen decidiu naquele momento permitir que Bob mantivesse a sua personalidade forte: “Ninguém quer ser prisioneiro das ideias a que os outros nos querem moldar. Todos precisamos de ser livres para podermos ser nós próprios.”


ÀS VEZES É PRECISO PERDER PARA DAR VALOR

Os anos a viver na rua e a consumir drogas tiveram o seu peso no corpo de James Bowen, que há uns anos sofreu uma trombose venosa profunda e foi obrigado a passar algum tempo no hospital. Para sua surpresa, aquilo que mais o afetou na experiência foi a falta que sentiu de Bob, o companheiro a quem se habituara. “Quando me deram alta, aquela primeira noite em casa com ele foi um estímulo tão grande para o meu estado de espírito como qualquer diagnóstico médico ou medicamento que me pudessem ter dado no hospital.” Moral da história: “Tal como acontece com a saúde, às vezes temos de perder a amizade de alguém para lhe conseguirmos dar o verdadeiro valor.”


JULGA OS OUTROS PELOS ATOS, NÃO PELAS PALAVRAS

Esta é uma lição que ganha outros contornos quando nos referimos a um gato. Afinal, não há outra forma de os julgar senão pelas suas ações. “É claro que o Bob tem os seus momentos maquiavélicos”, diz Bowen, “mas ao longo de mais de uma década sempre revelou o mesmo caráter.” O inglês, atualmente com 39 anos, acredita mesmo que esta foi uma das lições mais valiosas que aprendeu com Bob: “Esforço-me sempre por julgar os outros pelos mesmos padrões, ou seja, pelos seus atos e não pelas suas palavras.”


NÃO DEIXES O TEU BARCO METER ÁGUA

A história de James Bowen e Bob tornou-se tão popular que, em 2016, acabou mesmo por ser adaptada ao cinema. A estreia foi de gala: havia uma passadeira vermelha, jornalistas e fotógrafos por todo o lado e até Kate Middleton marcou presença. Mas o que realmente surpreendeu Bowen foi a calma e a compostura com que Bob encarou todo aquele aparato. “Os barcos não naufragam por causa da água que existe à sua volta, mas sim pela água que existe dentro deles”, explica Bowen. “O Bob parece ter o dom de não se deixar invadir pelo que acontece ao seu redor e limita-se a manobrar o leme serenamente.”


NUNCA SE PERDE UM AMIGO DE VERDADE

A aparente tranquilidade de Bob não é constante. Bowen lembra que, em duas ocasiões distintas, este se assustou de tal forma – “primeiro com um artista de rua e depois com um cão feroz” – que fugiu. Em ambos os casos, Bowen sofreu com as temporárias ausências do animal. Mas acabou por perceber: “Os únicos amigos que podemos perder são aqueles que não são amigos de verdade. Nunca podemos perder um verdadeiro amigo – mesmo que estejamos separados. A amizade que nutrimos vive dentro de nós. É parte de nós. E é eterna.”


Por: Tiago Matos
Fotografia: Facebook “A Streetcat Named Bob”

Gostou? Partilhe este artigo: