António Lobo Antunes: 75 anos do eterno candidato ao Nobel

 

António Lobo Antunes

Naturalidade
Benfica, Lisboa, Portugal

Data de nascimento
1 de setembro de 1942

Primeiro livro publicado
Memória de Elefante (1979)

 

 

 

 

Para assinalar os 75 anos de António Lobo Antunes, a FNAC faz-te uma oferta especial: na compra de qualquer obra do autor português, leva para casa, gratuitamente, o livro de letras de fados inéditos Mulher. Estes fados serão, mais tarde, interpretados por Gisela João.

 

 

Memoria-de-Elefante
Memória de Elefante

 

Os-Cus-de-Judas

Os Cus de Judas

 

Auto-dos-Danados

Auto dos Danados

 

Cartas-da-Guerra

Cartas da Guerra

 

 

 

 

 

lobo-antunes-revista-estante-fnac

estante-revista-fnac-lobo-antunes

O homem que trocou a medicina pela escrita celebra 75 anos de vida no dia 1 de setembro. A juventude, a Guerra Colonial e o amor são temas centrais das obras que hoje recordamos.

“Tenho a impressão de que me fizeram para escrever”, confessou António Lobo Antunes numa entrevista ao jornal espanhol El País. Não é por acaso que, em 38 anos, publicou mais de 30 livros. “O que posso fazer? Quando não escrevo não me sinto bem, sinto uma espécie angústia, uma coisa física difícil de explicar.”

A verdade é que essa necessidade de depositar palavras e pensamentos numa folha de papel em branco nasceu dentro de si quando ainda era criança. “Desde que me lembro, desde os 4 ou 5 anos, o que me interessava era escrever. Às vezes tinha um jantar marcado com uma rapariga e acabava por ficar a escrever. Sentia-me culpado quando não escrevia, muito culpado”, explicou em entrevista ao Expresso.

Começou por escrever poesia e algumas histórias, mas, por imposição do pai, acabou por se licenciar em Medicina, com especialização em Psiquiatria. Nessa altura, a escrita parecia ter ficado definitivamente de parte.

Terminados os estudos, fez um estágio de dois anos num hospital de Londres, mas foi chamado ao exército e embarcou para Angola, a fim de participar na Guerra Colonial como tenente e médico das forças portuguesas. Quando regressou a Lisboa, em 1973, juntou-se ao Hospital Miguel Bombarda e foi no exercício da função de médico psiquiatra que escreveu e publicou os primeiros livros, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, que obtiveram, de imediato, um grande êxito.


“Viver é como escrever sem corrigir.”

António Lobo Antunes

Só em 1985 decidiu dedicar-se em exclusivo à escrita. Publicou, desde então, dezenas de livros, que lhe valeram o elogio da crítica nacional e internacional. A não perder:

  • Memória de Elefante (1979)
    Com um tom claramente autobiográfico, este romance acompanha, ao longo de um só dia e noite, um psiquiatra residente em Lisboa cujo verdadeiro sonho é viver da escrita. Simultaneamente, assistimos à sua reunião com a mulher e as filhas, depois de ter estado ao lado das forças portuguesas na Guerra Colonial em Angola.
  • Os Cus de Judas (1979)
    Uma vez mais, o tema central é a guerra em Angola. Lobo Antunes escreveu este livro para partilhar as suas vivências nesse país durante o conflito pela independência, preenchendo a narrativa com memórias de infância e juventude na sua Lisboa. O protagonista, que bebe de todas estas experiências pessoais do autor, transporta o leitor para a sua vida presente, marcada pela solidão e melancolia.
  • Auto dos Danados (1985)
    Viajamos para 1975. Um casal e o irmão do respetivo marido regressam à casa de família em Reguengos de Monsaraz depois de saberem que o avô está à beira da morte. Aí reencontram-se com os restantes familiares. Após a morte do patriarca, ficam dívidas em vez de herança, o que leva a família a fugir do país.
  • Cartas da Guerra (2005)
    Durante 18 meses, enquanto esteve em Angola, António Lobo Antunes escreveu diariamente à sua mulher da altura, Maria José. As cartas, marcadas por uma sensibilidade e vulnerabilidade que o autor nunca havia mostrado antes, são compiladas neste livro que, em 2016, foi adaptado ao grande ecrã por Ivo Ferreira, com Miguel Nunes e Margarida Vila-Nova nos principais papéis.

 

 

Entre os vários reconhecimentos que mereceu ao longo dos anos contam-se o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (por Auto dos Danados, em 1985), o Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco (2000), o Prémio União Latina (2003), o Prémio Jerusalém (2005) e o Prémio Camões (2007). É ainda condecorado, em Portugal, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e, em França, com as insígnias de Comendador da Ordem das Artes e das Letras.

O seu nome foi, em vários anos, apontado como possível vencedor do Prémio Nobel de Literatura. Nunca ganhou, mas garante que não lhe faz falta esse prestígio. “Não fica nada para a história. Quem é que ganhou há cinco anos? Já não me lembro. Acho a lista do Prémio Jerusalém muito melhor. E então estes últimos Nobel são muito mauzinhos. São os escritores que honram o prémio, não é o prémio que honra os escritores. Porque é que o Tolstói, que morreu em 1910, nunca ganhou? Aquilo para mim é um mistério”, frisou ao Expresso.

Com 75 anos celebrados a 1 de setembro – e três batalhas travadas e vencidas contra o cancro –, António Lobo Antunes está atualmente a terminar um novo livro. Mas já dá sinais de querer abrandar. “Está completamente decidido na minha cabeça. Vou acabar este e fazer outros dois livros. Quero acabar em 2020”, revela.

Gostou? Partilhe este artigo:

 

Por: Carolina Morais
Fotografias: David Clifford /4SEE

Gostou? Partilhe este artigo: