Antiprincesas: Mulheres reais que inspiram novas gerações

Frida Kahlo, Violeta Parra, Juana Azurduy e Clarice Lispector são os rostos da coleção infantojuvenil Antiprincesas. Como é que estas mulheres ajudaram a mudar o mundo? Vem descobrir.

Quatro mulheres. Quatro heroínas. Quatro histórias inspiradoras. São estes os ingredientes que compõem a nova coleção Antiprincesas, editada pela Tinta de China e destinada a “meninos e meninas”.

As protagonistas são a pintora mexicana Frida Kahlo, a cantora e artista chilena Violeta Parra, a militar boliviana Juana Azurduy e a escritora e jornalista brasileira Clarice Lispector.

Cada uma destas “mulheres reais” terá como missão, no volume da coleção infantojuvenil ao qual dá nome, mostrar como derrubou barreiras no seu tempo e espaço, ajudando no combate às desigualdades sociais e aos estereótipos que crescem junto das camadas mais jovens.

A grande responsável por esta iniciativa – que vem mesmo a tempo do Dia Internacional da Mulher (celebrado a 8 de março) – é a jornalista argentina Nadia Fink. Os seus textos são suportados pelas ilustrações do também argentino Pitu Sáa.

Tens a certeza que já sabes tudo sobre estas antiprincesas? Conheces as suas histórias, as suas lutas e o modo como mudaram o mundo? Vem connosco. A viagem vale a pena.


“Contamos histórias de mulheres. Porquê? Porque conhecemos muitas histórias de homens importantes, mas poucas de mulheres. Conhecemos algumas histórias de princesas, é verdade, mas quão longe da nossa realidade estão essas personagens que vivem em castelos enormes e frios? Há muitas mulheres na América Latina que derrubaram os padrões da sua época, que não se resignaram a desempenhar as funções que a sociedade lhes impunha e seguiram o seu próprio caminho.”

Editora argentina Chirimbote

Frida Kahlo

Frida Kahlo
Conhecida pelos autorretratos de cores vibrantes, pela defesa da cultura indígena, dos animais e do feminismo, a antiprincesa que inaugura esta coleção quase morreu, quando ainda era criança, num acidente de autocarro. Sofreu múltiplas fraturas e ficou com lesões profundas, sobretudo ao nível da coluna e ossos. Ao longo dos seus 47 anos de vida (1907-1954), submeteu-se a cerca de 30 cirurgias. A pintura surgiu como forma de aliviar o sofrimento e, através dela, deu voz ao México e às suas lutas e revoluções sociais.

Violeta Parra

Violeta Parra       
Viajou pelos mais recônditos lugares do Chile, munida apenas da voz e de uma guitarra, que utilizava para entoar as canções tradicionais do seu país. Fez-se cantora, compositora e multi-instrumentista de forma autodidata e, quando era jovem, chegou a cantar nas ruas em troco de esmola. Mas Parra (1917-1967) foi, acima de tudo, uma mulher de muitos talentos: além da música, distinguiu-se também na cerâmica e nas artes plásticas.

Juana Azurduy

Juana Azurduy
Guerreira de origem indígena, Juana Azurduy (1780-1862) batalhou por uma vida justa no seu país, a Bolívia, ao juntar-se às lutas pela libertação da América do Sul (colonizada, na altura, pelos espanhóis). Munida de espada e cavalo – chegou até a combater grávida e com os filhos nos braços -, esta antiprincesa arriscou a vida por aquilo em que acreditava, e fê-lo muito antes de as mulheres serem aceites no exército.

Clarice Lispector

Clarice Lispector
Antiprincesa sim, mas também “antiescritora”, como ela própria costumava dizer. Clarice Lispector (1920- 1977) – nascida na Ucrânia, mas naturalizada brasileira – era apaixonada pela escrita, mas rejeitava todo o tipo de regras. Os seus romances, contos e crónicas foram nascendo “aqui e ali”, entre tarefas domésticas, muitas vezes em pedaços de papel aleatórios, ou com a máquina de escrever ao colo, enquanto os filhos andavam em correria pela casa. Escreveu sobre tudo, sem medos, sem limites.

Por: Carolina Morais

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