Como foi o ano da morte de Martin Luther King?

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Morreu há 50 anos o homem que tinha um sonho. Martin Luther King, uma das mais importantes figuras na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, deixou uma marca indelével no mundo através das suas campanhas de não-violência. Ironicamente, o ano da sua morte coincidiu com um período global de grande turbulência com consequências que ainda hoje se fazem sentir.

Eu Tenho um Sonho
Eu Tenho Um Sonho:
A Autobiografia de Martin Luther King
Clayborne Carson
Embora Martin Luther King não nos tenha realmente deixado uma autobiografia, deixou-nos inúmeros ensaios, entrevistas, cartas e gravações. O historiador Clayborne Carson serviu-se deles para a construção deste livro. O resultado: uma biografia na primeira pessoa.

Há qualquer coisa no ar em 1968. Qualquer coisa que se sente mas não se vê. Um desassossego por resolver. À espreita. A aguardar o momento certo para extravasar. O reverendo Martin Luther King tem vindo a alertar para isso. Tem falado de injustiças na sociedade americana. De homens ricos que se tornaram moral e espiritualmente pobres. De homens negros perseguidos e desconsiderados pela cor da pele. Tem explicado que é tempo de agir e corrigir de uma vez por todas estas injustiças mas que a paz é a única forma de o conseguir porque “a violência nunca traz paz definitiva nem soluciona qualquer problema social, apenas cria problemas novos e mais complicados”. É assim que pretende concretizar o seu sonho, um sonho de igualdade “profundamente enraizado no sonho americano”.

No dia 4 de abril de 1968, o reverendo encontra-se no quarto 306 do motel Lorraine, em Memphis, no Tennessee, a preparar mais um capítulo da sua missão. Não imagina que, precisamente na mesma altura, numa pensão próxima, se encontra um segregacionista chamado James Earl Ray, munido de uma espingarda de caça.

Por volta das seis da tarde, aproveitando uma passagem do reverendo pela varanda, Ray dispara um único tiro. Coloca-se depois em fuga, passando por Toronto e Lisboa antes de ser capturado em Londres. O mal estava feito. Martin Luther King, um dos mais carismáticos e inspiradores ativistas na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, morreu aos 49 anos.

E tudo a revolta levou

Uma arrasadora onda de desordem civil inunda os Estados Unidos à medida que se espalha a notícia da morte de Martin Luther King. Os afro-americanos saem à rua em protestos violentos pela perda do bem-amado pastor, exigindo o fim das injustiças sociais e das desigualdades raciais. Perde-se a conta às rixas públicas, aos danos nas propriedades, aos feridos, aos mortos. Robert F. Kennedy, então candidato democrata à presidência, procura acalmar os ânimos, mas também ele é silenciado, no espaço de dois meses, com um tiro na cabeça e dois no corpo. A tensão aumenta para níveis raramente vistos.

O resto do mundo lida, entretanto, com a sua própria vaga de descontentamento. A França conhece um mês de maio particularmente quente, marcado por uma “quase-revolução” que leva ao fecho massivo de fábricas e universidades, bem como a manifestações em nome das liberdades individuais dos cidadãos. Espanha, Itália, Alemanha, Polónia e Brasil são palco de intensas revoltas estudantis. A Checoslováquia tenta (sem sucesso) livrar-se do domínio soviético. A Guerra do Vietname é publicamente condenada a nível global. Sucedem-se os movimentos feministas e ambientalistas e os discursos anti-imperialistas alastram.

Bem avisou King, um dia antes de morrer, num sermão proferido para mais de dez mil pessoas, que antecipava dias difíceis. Assegurava, contudo, que tinha sido conduzido por Deus até ao topo da montanha e que, de lá, vislumbrou a terra prometida. “Posso não chegar lá convosco”, disse, “mas quero que saibam, hoje, que nós, como povo, chegaremos à terra prometida. Por isso, esta noite estou feliz. Não há nada que me preocupe. Não temo homem algum. Os meus olhos viram a glória da chegada do Senhor.”

13 LIVROS SOBRE TEMAS INCONTORNÁVEIS DOS ANOS 60

Pao-com-Fiambre
PÃO COM FIAMBRE
Charles Bukowski
Viagem-ao-Mundo-da-Droga
VIAGEM AO MUNDO DA DROGA
Charles Duchaussois
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CEM ANOS DE SOLIDÃO
Gabriel García Márquez
Mataram a Cotovia
MATARAM A COTOVIA
Harper Lee

Stoner
STONER
John Williams


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UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA
Robert A. Heinlein
22-11-63
22/11/63
Stephen King
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A SANGUE FRIO
Truman Capote
Por: Tiago Matos
Ilustração: Gonçalo Viana

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