Alter Ego de Ana Bravo

revista-estante-alter-ego-ana-bravo


Ana Bravo

Ana Bravo nasceu no Porto e foi também aí que se licenciou em Ciências de Nutrição, na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. É autora dos livros A Dieta Viva! e Saúde no Tacho. Recentemente lançou Corpo de Verão o Ano Inteiro. É uma referência na área da nutrição em Portugal.

revista-estante-rubrica-alter-ego-com-ana-bravo

Ana Bravo


Achas que é realmente simples cumprir um plano alimentar?

Não. A maior parte das vezes não é.

A curto ou a longo prazo?

Ambos podem decorrer com pedras no caminho. Numa primeira fase, a interiorização das regras, cumprimento de horários e mudanças alimentares de certo modo “impostas” podem tornar-se uma barreira que só se transpõe com alguma dificuldade. A longo prazo, o desejo por determinados alimentos, a vontade de comer livremente e de “ser feliz sem essas regras” pode fazer com que o plano alimentar se torne um esforço constante.

Isso quer dizer que andas a enganar as pessoas?

Não. Nem pensar. Procuro ajudar a limitar as ditas pedras do caminho e mesmo torná-las, ao longo do tempo, pequenas areias…

Isso quer dizer que existem sempre?

Sim, existem.

Então qual o primeiro conselho para lidar com elas?

Aprender a viver no que respeita à alimentação. Como em todos os campos da nossa vida é muito im- portante adquirir maturidade, neste caso “maturidade alimentar”. Sirvo-me deste conceito simbólico, que criei, precisamente para explicar às pessoas que as ditas pedras, ou areias, existirão sempre… Mais importante do que evitá-las é a forma como reagimos depois de tropeçarmos nelas: deitamos tudo a perder e caímos, demoramos a levantar-nos ou sacudimos os joelhos, limpamos as mãos e voltamos ao caminho? Devemos voltar. O quanto antes!

Explica.

No que se refere à alimentação é fundamental saber que as “tentações” existirão sempre…

Um almoço de família, pesado, com um cheirinho irresistível; aquele bolo de chocolate que não sai do nosso campo visual e olfativo; o pacote de bolachas que quase grita o nosso nome quando abrimos o armário. Pois bem, faz sentido abrir exceções mas, mesmo nos momentos em que as abrimos sem nos termos permitido a tal, de forma impulsi- va, devemos abandonar aquele “excesso” ali mesmo e voltar ao plano alimentar sem peso na consciência.

Isso acontece contigo?

Claro que sim. Muitas vezes!

Mas então… Publicas mesmo tudo o que comes no Facebook “Nutrição com Coração”?

Ora bem…

Conta.

Às vezes como uns quadrados de chocolate negro que não fotografo… O chocolate é a minha perdição!

Afinal de contas, é possível encarar a alimentação saudável como uma filosofia de vida? Como?

Sim, é. Devemos encontrar o equilíbrio alimentar, saber saborear tranquilamente os momentos de exceção e, sobretudo, dedicar algum do nosso tempo a planear refeições e se, possível, a prepará-las, de forma a não tornarmos o nosso prato monótono.

Há assim tanto para ensinar, diferente, no campo da nutrição? Afinal, escreveste três livros num ano…

Quando escrevi o primeiro fi-lo com receio de conseguir ajudar pouco… A Família Nutrição com Coração foi, e é, essencial para perceber o impacto que podia ter… Graças a Deus, muito positivo! Assim, nesta página vou percebendo diariamente as necessidades das pessoas e os livros surgem como resposta às dificuldades, dúvidas e questões que vão surgindo e são comuns a muitas pessoas. |

Gostou? Partilhe este artigo: