11 amigos inseparáveis da literatura

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Os livros têm o poder de nos dar a conhecer continuamente novos amigos, mas estes são muito provavelmente os melhores de todos.

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Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger

Harry Potter e a Pedra Filosofal

Não é fácil definir a amizade. Aristóteles dizia que um amigo é “uma única alma que habita dois corpos”. Ralph Waldo Emerson, por sua vez, dizia que um amigo é apenas “uma pessoa com a qual podemos ser sinceros”. A explicação mais assertiva, por estranho que pareça, até será a do pugilista Muhammad Ali: “Amizade é algo que não se aprende na escola, mas, se ainda não sabes o que é, então ainda não aprendeste verdadeiramente nada.”

A ideia mais comum sobre amizade envolve duas ou mais pessoas que se apoiam de forma constante, transformando-se numa unidade sólida perante qualquer desafio. Existem vários exemplos dignos de nota no mundo dos livros. Poderíamos pensar no Clube dos Falhados em A Coisa ou nas quatro protagonistas de Paper Girls mas, neste campo de amizades para todas as ocasiões, como poderíamos não destacar a que une Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger na saga infantojuvenil de J. K. Rowling?

Basta pensar que a ascensão de Harry ao longo da história não seria possível sem o apoio que este recebe, nos momentos mais críticos, por parte dos seus amigos. E não se trata de uma relação unilateral, já que Ron e Hermione também evoluem de forma notória devido à influência do grupo. “Há certas coisas que, depois de partilhadas, nos obrigam a gostar uns dos outros”, pode ler-se no primeiro livro da saga, “e enfrentar um troll da montanha com três metros e meio de altura era, sem dúvida, uma delas.”


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Sherlock Holmes e John H. Watson

The Adventures of Sherlock Holmes

Se há amigos que se apoiam mutuamente, também há amigos que elevam os outros de um modo, digamos, mais unilateral. Estas são amizades em que uma das partes parece ter mais relevância do que a outra, mesmo que a outra até desempenhe um papel fundamental – e geralmente não se importe de permanecer “na sombra”. Como Sherlock Holmes e John H. Watson nos mistérios escritos por Arthur Conan Doyle.

Watson começa por dividir um apartamento com Holmes no número 221B de Baker Street, em Londres, mas, mais do que um mero colega de casa, acaba por se tornar o seu inseparável assistente em inúmeras investigações. Watson sente-se tão fascinado com o génio do companheiro que começa inclusive a passar as suas aventuras para papel, acabando por se transformar em biógrafo. Holmes, por sua vez, encontra em Watson a pessoa ideal para alimentar o seu ego e equilibrar os seus “défices” sociais.

A amizade entre Holmes e Watson é, neste sentido, diferente da que Hercule Poirot mantém com Arthur Hastings nos mistérios de Agatha Christie. Aproxima-se mais da que Nick Carraway mantém com Jay Gatsby em O Grande Gatsby, na medida em que também este funciona como uma espécie de wingman para o protagonista.


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Frodo Baggins e Samwise Gamgee

O Senhor dos Anéis

Costuma dizer-se que “amigos, amigos, negócios à parte”, mas convenhamos que esta máxima nem sempre faz sentido. Podemos perfeitamente formar amizades no trabalho, por exemplo, mesmo que o nosso amigo se encontre acima ou abaixo da nossa posição na hierarquia da empresa. E até existem belos exemplos de amizades entre patrões e empregados na literatura.

É o caso de Dom Quixote e do seu escudeiro Sancho Pança no clássico de Cervantes. Ou de Hazel e Bigwig – ou Fiver, Holly, Blackberry ou qualquer outro dos coelhos pertencentes à comunidade formada em Watership Down. Mas e se analisarmos antes os amigos Frodo Baggins e Samwise Gamgee na trilogia O Senhor dos Anéis?

No início da aventura, Sam não passa de um mero jardineiro de Frodo. Acaba, contudo, por assumir um papel importantíssimo ao longo da travessia, procurando insistentemente ajudar o amigo a manter-se são e a não sucumbir ao poder maligno do anel. É uma amizade que nasce a partir de um forte sentido de lealdade mas que, colocando de lado as hierarquias, é tão robusta como qualquer outra desta nossa listagem.


As Aventuras de Tom Sawyer

Tom Sawyer e Huckleberry Finn

As Aventuras de Tom Sawyer

Podem duas pessoas completamente distintas desenvolver uma amizade sólida? Claro que sim e a literatura está cheia delas. O estratega Astérix não tem, à partida, nada a ver com o ingénuo Obélix. Tintin começa por se dar mal com o Capitão Haddock. Aibileen e Minny, as criadas do livro As Serviçais, não podiam ter personalidades mais distintas. E, no entanto, estas são algumas das mais emblemáticas amizades literárias.

Mas e os heróis de Mark Twain? Tom Sawyer é um rapazinho travesso mas pertence a uma família honrada e é geralmente bem visto na sua comunidade. Huckleberry Finn, por sua vez, é filho do “bêbado da aldeia”, o que lhe vale maus olhares por parte de todas as pessoas. É também relativamente ignorante, veste-se com trapos e dorme ao relento.

As diferenças não impedem que formem uma inesquecível amizade, em especial porque se metem em várias aventuras – como quando se fazem ao mar para se tornarem piratas com outro amigo, Joe Harper – e todos sabemos que, nas situações mais complicadas, até os opostos se atraem.


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Elena “Lenù” Greco e Raffaella “Lila” Cerullo

A Amiga Genial

Este será possivelmente o tipo de amizade mais complexo desta listagem: a amizade oscilante, que tanto é amor como ódio, que tanto é fé como desconfiança, que tanto é proximidade como distância.

Muitos livros apresentam este tipo de amizades como tóxicas – veja-se a influência que Tyler Durden tem no seu amigo, o narrador, em Clube de Combate ou a forma como Carmilla procura literalmente devorara amiga Laura no grande clássico de Sheridan Le Fanu.

Elena Ferrante assume uma perspetiva diferente na sua tetralogia de Nápoles.

A amizade entre Lenù e Lila tem alguns excessos, é certo, e a competitividade até parece ser, a espaços, o seu principal motor, mas as consequências acabam por ser mais positivas do que negativas. O contraste entre a introversão de uma mulher e a extroversão da outra ajuda, por isso, ambas a sobreviver na difícil realidade de Nápoles dos anos 40. E a evoluir.

OUTROS LIVROS SOBRE AMIZADE QUE TAMBÉM VAIS GOSTAR DE LER

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Quatro Amigas e Um Par de Calças
Ann Brashares

Há amizades que se veem fortalecidas pelas mais estranhas razões. Neste romance de Ann Brashares essa razão é um par de calças em segunda mão que, talvez por magia, servem na perfeição a quatro amigas – apesar de estas terem diferentes formas e tamanhos.


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As Vantagens de Ser Invisível
Stephen Chbosky

Apresentado como uma série de cartas escritas para um amigo anónimo,As Vantagens de Ser Invisível dá-nos a conhecer um trio de amigos adolescentes – Charlie, Sam e Patrick – e os dramas que os envolvem e que estão muito longe de serem imaturos ou infantis.


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Swing Time
Zadie Smith

Com a música como pano de fundo, esta é a história de duas raparigas mestiças, amigas de infância, que sonham ser dançarinas mas cujos caminhos acabam por se afastar – das suas pretensões individuais mas também uma da outra.


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Os Interessantes
Meg Wolitzer

Seis adolescentes fazem uma promessa de grupo: manterem-se amigos e interessantes para toda a vida. Mas, se a primeira intenção consegue ser cumprida, a verdade é que a vida adulta esbate muito do que fazia alguns dos elementos “interessantes” na juventude.


O-Grupo

O Grupo
Mary McCarthy

Originalmente publicado em 1963, o mais célebre romance de Mary McCarthy acompanha um grupo de oito amigas após a graduação, abordando temas tão prementes como sexo, casamento, contraceção, política, finanças pessoais e feminismo.

Por: Tiago Matos

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