Amando Pablo, Odiando Escobar: o testemunho da jornalista que também foi amante

 


Um livro para…
Apreciadores de biografias e autobiografias de personalidades marcantes da história.

Primeiras frases
“São seis da manhã de terça-feira, dia 18 de Julho de 2006. Três carros blindados da embaixada americana vão buscar-me ao apartamento da minha mãe, em Bogotá, para me conduzirem ao aeroporto, onde um avião com destino a um sítio qualquer dos Estados Unidos me aguarda com os motores ligados. Uma viatura com pessoal de segurança armado de metralhadoras antecede-nos a grande velocidade, e outro segue-nos. Na noite anterior, o chefe de segurança da embaixada avisou-me de que pessoas suspeitas se encontram de vigia do outro lado do parque que se avista do prédio e informou-me de que a sua missão é proteger-me; por nenhum motivo devo aproximar-me das janelas nem abrir a porta a ninguém.”

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Virginia Vallejo escreveu o seu lado da história e dá-nos a conhecer de forma íntima o perigoso mundo de Pablo Escobar, um homem com quem manteve um relacionamento feito de altos e baixos. Constantes.

Esta é a controversa memória de uma paixão entre duas das mais carismáticas figuras da Colômbia, na década de 1980. Uma paixão tumultuosa que terminou de forma desastrosa.

O livro

Amando Pablo, Odiando Escobar é, ao mesmo tempo, uma biografia e uma autobiografia. Na primeira pessoa conhecemos Virginia Vallejo, possivelmente a jornalista e apresentadora mais popular da Colômbia na década de 1980, uma mulher simultaneamente admirada pela beleza e respeitada pela valentia. Na terceira pessoa é-nos apresentado Pablo Escobar, um homem de baixa estatura, com um corpo robusto e um bigode “quase grego” – nas palavras de Vallejo – que, só por acaso, foi um dos maiores narcoterroristas de todos os tempos.

O que têm estas duas personalidades em comum? Egos gigantescos e quatro anos de um relacionamento tão intenso quanto tempestuoso, que resultaram numa denúncia que virou a Colômbia às avessas.

Amando Pablo, Odiando Escobar é o testemunho de Virginia Vallejo sobre este período. Um período em que se apaixonou pelas ambições de Escobar – “A segunda meta de Pablo, depois de arrecadar uma fortuna colossal, é utilizar o dinheiro para se tornar o líder político mais popular de todos os tempos.” – e viu a relação ruir em discussões quase contínuas.

— Tu é que escolheste viver assim, Pablo, como o Che Guevara na selva boliviana, só que ele não tinha três mil milhões de dólares. Ninguém te obrigou e nós já acabámos há algum tempo! Agora diz-me o que queres de mim e porque estás sem camisa com um frio destes, porque eu não vim passar a noite contigo nem dormir neste colchão cheio de percevejos!

— Claro que não vieste cá para dormir comigo. Já vais saber ao que vieste, meu amor, porque a mulher do capo di tutti capi não lhe põe os cornos com o inimigo à frente dos seus amigos.

— E à diva di tutte dive ninguém lhe põe os cornos com modelos à frente do seu público.

A autora

Virginia Vallejo nasceu em 1949, na Colômbia. Foi modelo, atriz e eventualmente uma das mais populares jornalistas e apresentadoras da televisão colombiana. Depois de entrevistar Pablo Escobar, em 1983, iniciou um relacionamento amoroso com ele que acabou por a levar, anos depois, a exilar-se nos Estados Unidos sob múltiplas ameaças de morte.

Em 2007, publicou o – muito controverso – livro de memórias Amando Pablo, Odiando Escobar, no qual declara: “Eu já só sei que sou apenas uma mulher, impotente. Que, a partir de agora, ele será cada vez mais estranho para mim, cada dia menos meu… Que estará cada vez mais ausente, cada dia mais distante… Que a sua capacidade de defesa o tornará mais desumano, e a sede de vingança mais impiedoso… E que, de hoje em diante, cada um dos seus mortos será também meu, e carregar com todos eles talvez seja o meu único destino.”

O gancho

Amando Pablo, Odiando Escobar chega este ano também às salas de cinema. A adaptação deste livro de memórias de Virginia Vallejo, intitulada simplesmente Escobar, é da autoria do espanhol Fernando León de Aranoa e conta com Javier Bardem no papel de Pablo Escobar e Penélope Cruz no papel da jornalista e autora. Mas como os livros são quase sempre melhores do que os filmes, talvez seja melhor ler primeiro a história de Virginia Vallejo.


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