Alter Ego de Nilton


Nilton

É humorista mas diz que não se dedica à comédia. Anda de norte a sul do País em espetáculos de stand-up comedy, escreve livros, faz rádio na RFM e é um dos apresentadores do programa 5 para a Meia-Noite, na RTP. Mais informações sobre Nilton em www.facebook.com/niltoncomedy

 

Nilton, esse é mesmo o teu nome ou tens algum decente?

É mesmo o meu primeiro nome, o que não quer dizer que não tenha um decente para usar quando quero parecer uma pessoa normal. Repara que nasci em Angola há mais de 40 anos – não vou precisar a data porque a frase “Angola há mais de 40 anos” já explica que não há como precisar isto de forma correta e fidedigna, já sabermos a década é uma sorte –, por isso não vamos agora estar a querer que eu tenha um nome normal. Foi o que se arranjou. Se tivermos em conta que a minha mãe se chama Persea, penso que podemos facilmente perceber que o problema já vinha de trás.

Porque te dedicaste à comédia, não preferias ter estudado?

Vamos por partes. Eu não me dedico à comédia, eu dedico-me a pagar impostos, essa é a minha primeira atividade e para a qual trabalho 20 horas por dia. E quero tanto pagar que até arranjei oito empregos. Pago impostos, tenho a minha empresa, faço rádio, televisão e espetáculos. Se juntar a mulher e dois filhos, penso que dá oito. Sou claramente um dos principais responsáveis pelo desemprego.

Sendo uma figura pública, porque nunca falas da tua vida privada?

Ai agora é para falar a sério? Acho que é precisamente por causa da palavra “privada”. Eu não sei o que é uma figura pública. Sou uma figura privada com um trabalho público e é esse trabalho que devo mostrar. Faz-me alguma confusão que se abra a porta para tudo e mais alguma coisa. As pessoas são livres de o fazer se acham que é esse o caminho, mas não se podem esquecer que, se convidam as revistas para o casamento, elas também vão querer ir ao divórcio. E já agora aproveito a embalagem para dizer que sou totalmente contra mostrar os meus filhos publicamente. Eles têm direito ao seu anonimato. Só porque sou pai não tenho o direito de explorar uma imagem que é deles, não minha.

Nilton, tens mais pessoas que gostam ou que não gostam de ti?

Pelo sucesso que tenho nas coisas que faço na rádio, na televisão e nas redes sociais, achei durante muito tempo que tinha mais pessoas que gostam de mim. Entretanto, no ano passado, estava a atuar na Expofacic e tinha à minha frente quase 50 mil pessoas. Senti que era um marco histórico na minha carreira, mas percebi que esse aparente sucesso estava a induzir-me em erro. Repara que temos 10 milhões de habitantes em Portugal, logo, ter 50 mil pessoas a assistir a um espetáculo, por muito que isso possa parecer fantástico, mostra que na verdade só 0,5% da população saiu de casa para assistir ao show. Claramente um fracasso.

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