Os 10 Livros da Minha Vida: Adolfo Luxúria Canibal

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Adolfo Luxúria Canibal

Idade: 56
Profissão: Jurista,
 músico e poeta
Nacionalidade: Português

Nasceu em Luanda, a 25
 de dezembro de 1959. Adolfo Luxúria Canibal é
 o pseudónimo artístico de Adolfo Augusto Martins da Cruz Morais de Macedo, que cresceu entre Vieira do Minho e Braga e em 1978 mudou-se para Lisboa, para estudar Direito. Letrista e vocalista do grupo Mão Morta desde 1984, Adolfo Luxúria Canibal criou em 2011, em conjunto com o artista plástico Fernando Lemos, Desenho Diacrónico, um livro-objeto, publicado no Brasil aquando da inauguração da exposição de Lemos, Lá e Cá, na Pinacoteca de São Paulo.

1. Os Cantos
 de Maldoror

Isidore Ducasse, dito Conde de Lautréamont

Escrito em 1869, este longo poema em prosa estruturado em cantos e estrofes, com as suas invetivas contra Deus e o Homem e cenas de crueldade absoluta, antecipa as imagens extravagantes originadas por associação inconsciente tão caras aos surrealistas, mas também outros recursos literários desenvolvidos no século seguinte por situacionistas e beats, como o desvio, a colagem ou o cut-up.

 

2. Os Passos em Volta

Herberto Helder

Pequenos poemas em
 prosa, sob a aparência 
de contos, que, com uma escrita magnífica, encenam questões em torno da existência, a partir de viagens deambulatórias 
por entre cidades e quotidianos, com enredos simples mas transcendentes, materializando um vazio que só encontra contraposição no corpo, sagrado e redentor.

 

3. O Festim Nu

William S. Burroughs

Imersão no espírito de um junkie, subvertendo a forma clássica do romance pela introdução do cut-up para corporizar as suas divagações, entre ficção científica 
e tragédia, sobre modificações corporais, orgias homossexuais, conspirações e criaturas angustiantes,
 num estranho país chamado Interzona. Editado em Paris em 1959 e proibido nos EUA, é a primeira publicação de Burroughs e o seu livro mais radicalmente experimental.

 

4. A Feira de Atrocidades

J. G. Ballard

Um romance-laboratório, instalação alucinante de ícones pop numa sucessão aleatória de parágrafos, designados novelas condensadas, sobrepostos como parcelas do universo psicótico que constitui a trama de tecnologia, culto da celebridade e violência que enreda o imaginário do nosso tempo.

 

5. O Arranca Corações

Boris Vian

Um livro belo, estranho e absurdo, de linguagem reinventada e uma prosa tempestuosa
 e arrebatada, cheia de neologismos, jogos de palavras e metáforas. Esta história de um psiquiatra que procura uma psicanálise mergulha-nos num universo poético, angustiante e de crueldade sem limites, mas também hilariante, onde a realidade é distorcida até ficar irreconhecível e onde tudo é possível, mesmo que inacreditável ou intolerável.

6. Três Tristes Tigres

Guillermo Cabrera Infante

A permanente brincadeira com as palavras, numa mistura de dialetos e gírias, neologismos e trocadilhos, oralidades e paródias, num rodopio de humor e engenho poético, de delírio criativo e artifício estilístico, tendo como cenário de fundo – e personagem principal – a boémia de Havana na Cuba pré-revolucionária, faz as delícias deste romance fragmentário, com várias vozes.

 

7. O Infinito Turbulento

Henri Michaux

A prosa única de Henri Michaux, despoletada pela leitura de Lautréamont, aqui às voltas com uma viagem de mescalina que ele regista nos mais ínfimos detalhes, para conhecer o seu íntimo interior e o infinito divino.

 

8. June 30th, June 30th

Richard Brautigan

Uma poesia do detalhe, onde o mais ínfimo pormenor
 é transformado em objeto poético, fruto de uma prodigiosa imaginação, cheia de humor e de metáforas alucinadas, influenciada pelo budismo zen e pela cultura japonesa. Brautigan era um beat tardio, envolvido com a contracultura hippie, e este é o seu último conjunto de poemas, dando corpo a uma espécie de diário com as impressões suscitadas por uma viagem ao Japão.

 

9. Mendigos e Altivos

Albert Cossery

Um professor universitário opta por ser mendigo 
e leva-nos a ver o mundo contemporâneo, com a sua ânsia de posse material e de poder, como uma inutilidade morfológica tendo por função a negação da vida. Com um estilo vivo e cativante, sem artifícios nem ambiguidades, é uma reflexão, cheia de humor e escárnio, sobre a existência e a humanidade, uma ode ao prazer e ao hedonismo, uma elegia à preguiça e ao ócio, que proclama a falta de ambição como virtude suprema.

 

10. Uivo e Outros Poemas

Allen Ginsberg

Editado originalmente
em 1956, o poema “Uivo” marca o nascimento da
 beat generation enquanto movimento literário. 
Nele, é feito o retrato
 dessa geração de jovens delinquentes obcecados
 por drogas, sexo e literatura, em quadros justapostos, apenas ligados por um “who” surdo, como um contrabaixo a marcar 
o ritmo, que remetia para
 o jazz, sobretudo o be-bop, essa música negra que lhes coloria o quotidiano.

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