A Máquina do Tempo

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Faz 120 anos que A Máquina do Tempo, de H. G. Wells, foi publicado. Algures entre a ficção científica e a distopia, o livro revela também os valores pessoais do autor.

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Sobre o livro

“É obviamente o trabalho de um escritor inexperiente, mas certas originalidades salvaram-no da extinção.”
H. G. Wells

“H. G. Wells era o meu escritor preferido quando eu era novo. [A Máquina do Tempo] é muito melhor que tudo o que Arnold Bennett, Joseph Conrad ou qualquer outro dos contemporâneos de Wells eram capazes de produzir.”
Vladimir Nabokov

“Suponhamos que [o futuro negro de A Máquina do Tempo] se revela verdadeiro e tudo acaba em borboletas e Morlocks. Isso não interessa agora. O esforço é genuíno. Vale a pena seguir em frente, apesar de tudo.”
Theodore Roosevelt

E se o tempo for uma dimensão que se pode percorrer? A ideia surge a Herbert George Wells quando este é ainda um jovem estudante na área das ciências e acompanha-o além da carreira académica, quando começa a escrever pequenas histórias e peças jornalísticas para vender aos meios de comunicação locais. Como tantos outros jovens de classes sociais inferiores, o dinheiro 
é na altura a sua principal preocupação. Chega, no entanto, um mês em que, por já terem suficientes artigos em carteira, os jornais se recusam a comprar-lhe novos textos. A necessidade financeira fá-lo retornar à ideia. Na esperança de a vender a um mercado inexplorado, apressa-a sob a forma de romance. Dá-lhe o título de
 A Máquina do Tempo.

O protagonista da aventura é um cientista que cria uma máquina capaz de o transportar através do tempo. Viaja então até ao ano 802.701, deparando-se com uma sociedade dividida em duas raças, as quais batiza de Eloi e Morlocks. Os Eloi são seres pacíficos mas apáticos, que se passeiam despreocupados pela superfície sempre que os campos estão iluminados pelo Sol; já os Morlocks passam os dias a operar máquinas no subterrâneo, subindo à superfície apenas à noite, a fim de devorarem os Eloi, que mantêm como gado.

Originalmente publicado como folhetim,o primeiro romance de H. G. Wells revela-se um sucesso imediato, inspirando inúmeros autores e popularizando as viagens pelo tempo. Mas, mais do que a mera exploração de uma hipótese científica, A Máquina do Tempo reflete a singular visão de Wells sobre as suas próprias dificuldades financeiras e o que entende serem as potenciais consequências do capitalismo: o fosso entre classes (capaz de levar a uma eventual revolta) e a degeneração da burguesia e do proletariado. É esta a ideia que, transformada e expandida, viaja até aos dias de hoje como uma das mais emblemáticas da literatura.

 

5 curiosidades
sobre A Máquina do Tempo


1

Popularizou o conceito de viagens no tempo, embora o próprio H. G. Wells já tivesse abordado o tema no conto “The Chronic Argonauts”.


2

Foi inspirado no pessimismo de Jonathan Swift, autor de As Viagens de Gulliver.


3

Reflete parcialmente as crenças feministas de Wells, que apenas atribui nome à única personagem feminina da história.


4

Inspirou o realizador Fritz Lang a criar o hoje icónico filme Metrópolis (que Wells detestou).


5

H. G. Wells considerou, a certa altura, “demasiado cruas” as ideias de divisão social que expõe no livro e lamentou não ter explorado a ideia com mais cuidado.


Por: Tiago Matos
Fotografia de H. G. Wells: Wikimedia Commons

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