A ler: Pai Nosso


Um livro para…

Leitores que queiram compreender melhor a história do Médio Oriente.

Primeiras frases

“Nas costas dela chamam-lhe O Fantasma. Uma mulher de certa idade que fuma cigarros até meio. Apaga-os com ressentimento. Não parece que fumasse por gosto. Ou que fizesse o que quer que fosse por gosto. Sopra uma coluna de fumo que dissolve as linhas da expressão. A claridade dos olhos corta vidro. A Leica em cima da mesa. Tem as unhas cuidadas e envernizadas. Os dedos nodosos, a pele da mão manchada de sardas. Não é uma mulher nova e ainda não é velha. O Fantasma.

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Estado de Guerra (Clara Ferreira Alves)

O Caderno Afegão (Alexandra Lucas Coelho)

Exodus (Leon Uris)


Este é o romance de estreia de Clara Ferreira Alves, cuja narrativa se desenvolve no Médio Oriente, fruto do trabalho da autora como jornalista e repórter de guerra.


Pai Nosso transporta-nos até ao Médio Oriente e remete para a importância de não nos esquecermos nunca da História. Porque, para a autora, esquecer a História é também esquecer quem somos.

O livro

A narrativa desenrola-se no Médio Oriente, um território que Clara Ferreira Alves conhece como a palma das suas mãos, depois de ter sido enviada como jornalista para relatar vários acontecimentos históricos na região. Curiosamente, a protagonista é Maria, uma veterana fotógrafa de guerra – a autora não quis que a personagem principal fosse alguém que escrevesse. A narradora, Al-Rashid, é investigadora de Estudos Islâmicos e acaba por contar a história de Maria, que parece ser a figura central de uma adversidade que acabou por levar o terrorismo a Lisboa. Os pormenores, esses, estão bem guardados até à última página.

A autora

Clara Ferreira Alves é jornalista e escritora. É licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Autora de livros como Estado de GuerraMala de Senhora e Outras Histórias e Pluma Caprichosa, Ferreira Alves tem uma grande admiração por escritores como Graham Greene, Joseph Conrad, Eça de Queirós ou Fernando Pessoa. Demorou mais de um ano a escrever este seu primeiro romance, embora já tivesse sido pensado nele antes dos atentados de 11 de Setembro.

O gancho

Os atentados de 11 de Setembro foram determinantes para o fio condutor deste romance: antes, a autora pensava escrever algo sobre Jerusalém e religiões. Depois dos atentados, Clara Ferreira Alves sentiu que era importante explorar este fenómeno, ir atrás, explicar a História, tentar compreender o Médio Oriente não só do ponto de vista religioso, como também ideológico e histórico.


Por: Catarina Sousa

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