A ler: E Se Eu Gostasse Muito de Morrer


Um livro para…

Apreciadores de sátiras em formato episódico sobre a sociedade portuguesa.

Primeira frase

“A praga de mimosas chegara e trouxe novos esconderijos à serra, buracos entre as flores onde cabe, por exemplo, o cadáver de um homem.”

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E Se Eu Gostasse Muito de Morrer, o primeiro livro de Rui Cardoso Martins, acaba de ser reeditado, dez anos depois do lançamento. Mesmo na hora de o redescobrir.

Abyssus abyssum invocat.Algo como “o abismo chama o abismo”. É este o mote de uma sátira ora divertida, ora reflexiva, sobre o suicídio. Tem lugar no Alentejo mas podia passar-se em qualquer outra região do país. Até porque as personagens que a povoam são pessoas que todos conhecemos e com as quais nos habituámos a conviver.

O livro

E Se Eu Gostasse Muito de Morrer fala de morte. Mais concretamente de suicídio, e do facto de ser tão comum no Alentejo quando comparado com o resto de Portugal. Mas fá-lo – na maior parte do tempo – de forma descontraída e até humorística, através de vários episódios que têm como elemento conector a história de um rapaz que guarda explosivos no bolso do quispo. Escrita com uma linguagem simples e repleta de diálogos e destaques inesperados, foi originalmente publicada em 2006, roubando o título a uma frase proferida pelo personagem Raskólnikov no clássico Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski.

O autor

Rui Cardoso Martins é escritor de romances, peças de teatro e guiões para cinema e televisão. Nasceu em Portalegre, em 1967, e começou por trabalhar como jornalista e cronista para o Público. Ajudou mais tarde a fundar as Produções Fictícias e celebrou-se como coautor de programas televisivos como Contra-Informação e Herman Enciclopédia. Com o romance Deixem Passar o Homem Invisível, foi distinguido em 2010 com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.

O gancho

Dez anos depois de ter sido publicado, e depois de muito tempo esgotado nas livrarias, o romance de estreia de Rui Cardoso Martins é reeditado pela Tinta da China, permitindo uma nova oportunidade para conhecer a história com que o autor se apresentou aos leitores. Até porque, apesar da idade, a sátira se mantém tão atual como na altura em que foi escrita.

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