A ler: A Resistência


Um livro para…

Apreciadores de mistérios. Leitores que gostem de História, especialmente da época das ditaduras militares na América Latina.

Primeiras frases

“Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado. Se digo assim, se pronuncio essa frase que por muito tempo cuidei de silenciar, reduzo meu irmão a uma condição categórica, a uma atribuição essencial: meu irmão é algo, e esse algo é o que tantos tentam enxergar nele, esse algo são as marcas que insistimos em procurar, contra a vontade, em seus traços, em seus gestos, em seus atos.”

Sobre o livro

“É com o seu Sebastián-Julián, ‘narrador não confiável’, no limite entre realidade e ficção, história e memória, que Fuks encontra na literatura a sua morada.”
Folha de São Paulo

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Pode dizer-se que o jovem autor Julián Fuks não resistiu a escrever esta história. Como o próprio diz, “muito antes de arriscar a primeira linha já sabia que um dia teria de escrever este livro”.

Num livro que é um regresso ao passado – de uma família, mas também de um país – a resistência surge como sentimento, lado a lado com a reconstituição desse mesmo passado. Os factos e a ficção entram num jogo de máscaras que nem sempre é fácil de descortinar.

O livro

A Resistência fala sobre a família de um casal de psicanalistas que, na sequência do golpe militar na Argentina em 1976, decide deixar a resistência para trás e procurar exílio no Brasil. Para Terras de Vera Cruz levam também uma criança que tinham adotado e, mais tarde, a família acaba por crescer com a vinda de mais dois irmãos. É Sebastián, o filho mais novo, que narra a história, tentando explicar o percurso familiar e o mistério em redor da identidade do primeiro filho. Nesta viagem, tenta-se reconstruir o complexo passado de uma família mas também de um país.

O autor

Julián Fuks nasceu em São Paulo, Brasil, em 1981, filho de argentinos. A Resistência é o seu quarto romance, tendo sido antecedido por Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e Eu (2004), Histórias de Literatura e Cegueira (2007) e Procura do Romance (2011). Fuks já ganhou o Prémio Nascente da Universidade de São Paulo e foi finalista dos Prémios Jabuti, Portugal Telecom (atual Oceanos) e São Paulo de Literatura. Trabalhou ainda como jornalista no Folha de São Paula.

O gancho

O autor regressa à história da ditadura na Argentina dos anos 70. Uma época marcada pelo início da Guerra Suja, um período marcado por um regime de violência atroz. A estimativa quanto ao número de mortos e/ou desaparecidos varia entre 7 mil e 30 mil pessoas entre 1976 e 1983. É neste ambiente que os pais de Julián, psicanalistas, decidem exilar-se no Brasil, levando consigo uma criança adotada.


Por: Catarina Sousa

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