A estante de Júlio Isidro

julio-isidro-revista-estante-fnac
Júlio Isidro
Nascido a 5 de janeiro de 1945, Júlio Isidro estreou-se com apenas 15 anos em frente das câmaras da RTP. Passou pelo Rádio Clube Português, pela Rádio Comercial e pela TVI, mas foi na estação pública que se distinguiu, apresentando mais de 20 programas ao longo de 56 anos de carreira. Com vários livros infantis publicados e uma autobiografia acabada de chegar às livrarias, é há seis anos o anfitrião do talk show semanal Inesquecível, na RTP Memória.

Uma grafonola de época posa no alto da estante sobrelotada de Júlio Isidro. Aí esconde-se um pouco de tudo, mas reinam as biografias e a literatura histórica.

Mil livros. “Mais coisa, menos coisa”, de acordo com Júlio Isidro. A estante pode já estar overcrowded, como o próprio diz, mas a avidez pela literatura – especialmente a de cariz histórico – parece não ter limites. “Tenho um imenso interesse pelo período que vai da Primeira Guerra Mundial ao final da Segunda. Acho que vale muito a pena ler esse material para tentar entender o que se está a passar hoje em dia no nosso mundo”, sublinha o apresentador da RTP.

Nas prateleiras – “desorganizadas”, confessa – não faltam biografias, romances históricos, poesia e, claro, por defeito de profissão, obras de teorização e prática de televisão e cinema. “Tudo o que leio tem a ver com estados de espírito”, explica-nos. Talvez por isso faça questão de voltar e “saborear”, de quando em vez, os livros que o marcaram “profundamente”.

Aos 56 anos de carreira, Júlio Isidro seguiu as pisadas daqueles que admira, tendo publicado, no final de 2016, a sua autobiografia: O Programa Segue dentro de Momentos. “Não é literatura”, garante. “São memórias. É uma forma de as pessoas me ouvirem.”


1

Um dos nomes em destaque na estante de Júlio Isidro é António Lobo Antunes. “Acompanho-o desde Memória de Elefante, mas um dos meus preferidos é o Livro de Crónicas, precisamente pela vantagem de se poder ler de forma avulsa”, explica.

2

Leitor feroz de literatura histórica, o apresentador fala com especial entusiasmo de Portugal e a Grande Guerra, da autoria dos generais Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes. Esse é, aliás, um dos livros que planeia reler muito em breve. “Em 2017 celebram-se os 100 anos da entrada de Portugal na Grande Guerra e, como vou fazer alguns especiais na RTP Memória, vou certamente reutilizar este livro.”

3

Um dos títulos mais raros – “ou invulgares, digamos assim” – na sua estante é War Films, de James Clark, uma compilação dos mais memoráveis filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. “É um livro enorme e muito interessante, que até comprei já usado”, confessa o apresentador.

4

Para aliviar o peso das obras históricas, Júlio recorre frequentemente à poesia. Alexandre O’Neill é um dos autores que mais aprecia. “Gosto muito de Poesias Completas. Já li e reli e gostei muito, são poemas que nos fazem pensar”, nota.

5

Biografias são outras das suas saudáveis “obsessões”. O comunicador destaca Arquivo Íntimo, de Nelson Mandela, e vários materiais relacionados com Winston Churchill. “Já li duas biografias diferentes e tenho também pensamentos dele sempre à mão de semear. Gosto muito de perceber como é que alguém tinha essa capacidade de argumentação”, frisa.

6

Quando quer dar um “pulinho” à ficção, Júlio Isidro sabe o que procurar. “Há um escritor que leio compulsivamente, que é o [Armando] Baptista-Bastos. É fantástico, porque é o escritor mais jornalista e o jornalista mais escritor que conheço”, explica, sem conseguir escolher entre obras como Tempo de Combate, Viagem de Um Pai e Um Filho pelas Ruas da Amargura ou Elegia para Um Caixão Vazio.

 7

Ferramentas de trabalho também não lhe faltam. Aliás, Júlio tem toda uma “zona” dedicada a livros “indispensáveis” à sua profissão, com teorias e práticas ligadas à televisão e ao cinema. “Um dos que mais gosto é A Invenção do Cinema Português, do Tiago Baptista.”

8

Incapaz de eleger um só livro da sua vida, revela-nos dois. “Um livro que me marcou muito, há largos anos, foi O Que Diz Molero, de Dinis Machado. Acredito até que, um dia, ainda hei-de escrever o meu O Que Diz Molero.” O outro tem assinatura de José Gomes Ferreira. “O Mundo dos Outros é um livro de pequeninas histórias, mas todas elas me tocaram muito”, admite.

9

O último volume a encontrar espaço na sua estante, “acabadinho de chegar”, foi a biografia do jornalista britânico Sir David Frost. “É considerado o maior entrevistador de todos os tempos. Tenho o livro original, escrito em inglês, que me foi enviado por um amigo em Londres. E já o estou a ler”, conta.

10

A fazer companhia aos seus livros, além das taças de aeromodelismo que conquistou quando era jovem, o apresentador tem ainda uma grafonola de época. “Um dos maiores sucessos que apresentei na rádio chamava-se Grafonola Ideal. Então comprei esta, que toca mesmo. É a peça que relaciono mais com a minha vida profissional.”

Por: Carolina Morais
Fotografias: José Fernandes/4SEE

 

Gostou? Partilhe este artigo: