7 livros que provam que a união faz a força

Costuma dizer-se que escrever é uma tarefa solitária. Mas não tem de ser. Conheça alguns livros que provam o que acontece quando autores habituados a escrever a solo se juntam para uma única história a várias mãos.

 

 


Quem Matou o Almirante?

The Detection Club

O que acontece quando se junta mais de uma dezena de escritores britânicos de policiais? A julgar pelo exemplo de 1930, forma-se um clube. Compreendendo um juramento formal de iniciação e a organização de jantares regulares entre os membros, o Detection Club significa ainda outra coisa: livros. Em 1931, juntaram-se 14 dos associados – Agatha Christie, Anthony Berkeley, Clemence Dane, Dorothy L. Sayers, Edgar Jepson, Freeman Wills Crofts, G. D. H. Cole, G. K. Chesterton, Henry Wade, John Rhode, Margaret Cole, Milward Kennedy, Ronald Knox e Victor Whitechurch – e a cada um coube a escrita de um capítulo inserido num romance colaborativo que começa com um cadáver encontrado num barco à deriva. Embora com longas pausas pelo meio, o clube mantém-se ativo desde esta altura, sendo também da sua autoria o mistério Perguntem ao Polícia.


 

Bons Augúrios

Neil Gaiman e Terry Pratchett

Pode o fim do mundo ser divertido? Neil Gaiman e Terry Pratchett, dois dos principais escritores de fantasia do seu tempo, uniram esforços para provar que sim. Os autores eram amigos de longa data e, embora fisicamente separados, mantiveram-se em contacto diário por telefone enquanto decidiam e escreviam a história. Resultou daqui um livro que serve de sátira ao armagedão, no qual o Anticristo nasce por engano na família errada. “Contas feitas”, resumiu um dia Pratchett, “foi um livro escrito por dois tipos que dividiram equitativamente o dinheiro e que o fizeram pelo simples divertimento e que não o voltariam a fazer”.


 

E os Hipopótamos Cozeram nos seus Tanques

Jack Kerouac e William S. Burroughs

Em 1945, muito antes de os dois autores se tornarem célebres pelos textos escritos a título individual, Jack Kerouac e William S. Burroughs juntaram-se para criar um mistério baseado num crime real. Escrevendo cada um, à vez, um capítulo sob o ponto de vista de personagens distintos, os autores concluíram a história mas assinaram-na sob nomes falsos – John Kerouac e William Lee –, o que pode ter contribuído para que tenha andado perdida até 2008, quando foi publicada pela primeira vez. Kerouac chegou mesmo a desvalorizá-la numa entrevista: “Não era suficientemente sensacional para ter sucesso nem suficientemente bem escrita ou interessante para ter sucesso de um ponto de vista puramente literário.”


 

A Misteriosa Mulher da Ópera

Afonso Cruz, Alice Vieira, André Gago, Catarina Fonseca, David Machado, Isabel Stilwell e José Fanha

Os romances colaborativos compostos por autores portugueses habituados a escrever a solo não são muito comuns, o que faz deste A Misteriosa Mulher da Ópera um acontecimento de relevo no panorama editorial nacional. O desafio levou sete escritores de distintos géneros e influências a desenvolverem sete personagens com características tão marcantes quanto bizarras e a utilizarem-nas num enredo que percorre os mais caricatos lugares, resultando numa narrativa algures entre a comédia e o mistério, onde não é certo quem escreveu o quê.


 

O Monstro de Florença

Douglas Preston e Mario Spezi

Quando o escritor americano Douglas Preston se mudou para Florença com a família, deparou-se com uma notícia que lhe capturou a atenção, a de um psicopata que durante anos assassinou casais enquanto estes faziam sexo em regiões desertas da cidade. Na busca de mais informações, fez-se amigo e começou a escrever artigos em conjunto com Mario Spezi, um repórter criminal especializado no caso. Quem não achou muita piada foi a justiça italiana, que os acusou de serem potenciais cúmplices do assassino. Em O Monstro de Florença, os dois homens juntam-se para escrever não só a história do assassino mas os vários desentendimentos que tiveram com a polícia enquanto o investigavam.


 

Will e Will

David Levithan e John Green

Dois dos mais populares autores de livros para jovens adultos dos Estados Unidos juntam-se para escrever uma única história. John Green escreve os capítulos de número ímpar sob a perspetiva de um estudante heterossexual de nome Will Grayson. David Levithan escreve os capítulos de número par sob a perspetiva de um jovem homossexual de nome will grayson (sem maiúsculas, a fim de o distinguir do seu homónimo). O único aspeto que definem de antemão é que os personagens se têm de encontrar a certa altura. Do encontro resultou um bestseller sobre música e amizade que recebeu o aplauso da crítica.


 

Quando a Neve Cai

John Green, Lauren Myracle e Maureen Johnson

Novamente John Green, agora acompanhado por duas autoras. Mas a estrutura e o processo que levou à escrita de Quando a Neve Cai são distintos dos de outros romances colaborativos. Cada autor ficou responsável por uma das três histórias que compõem o livro: “O Expresso Jubilee” (Maureen Johnson), “Um Milagre de Natal Fantabulástico” (John Green) e “O Santo Patrono dos Porcos” (Lauren Myracle). O que faz da obra um romance colaborativo e não uma simples coletânea de novelas é que todas as histórias são protagonizadas por adolescentes numa cidade assolada por uma enorme tempestade de neve. Elementos que interligam as narrativas, reforçando a coesão do enredo.


Por: Tiago Matos

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