7 livros clássicos que quase
não foram publicados

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Da ideia à publicação é um caminho longo e nem sempre fácil. Conheça alguns livros, hoje tidos como clássicos, que estiveram perto de ir parar ao cesto do lixo.

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Carrie

Stephen King

Um balneário repleto de jovens, um estranho episódio de menstruação e uma rapariga com poderes telecinéticos. Foram estes os elementos que Stephen King introduziu na primeira cena daquele que seria o seu romance de estreia. Não obstante, detestou-a. Ao ponto de atirar os papéis para o lixo. E, no entanto, cedo os encontraria de volta. A mulher recuperou-os e mandou-o continuar a história. Reticente, King obedeceu. Carrie acabou por vender mais de um milhão de exemplares só no seu primeiro ano.


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Mataram a Cotovia

Harper Lee

Semelhante ao de Stephen King foi o episódio vivido por Harper Lee que, a certa altura, durante os dois anos e meio de escrita de Mataram a Cotovia, se sentiu tão frustrada que atirou o manuscrito pela janela. Foi o agente que a convenceu a ir buscá-lo de volta. O livro acabou mais tarde por vencer o Prémio Pulitzer, tornando-se ainda um dos grandes clássicos da literatura. Curiosamente, Harper Lee também esteve quase para não publicar o seu segundo livro, Go Set a Watchman, cujo manuscrito apenas foi encontrado mais de meio século após o lançamento de Mataram a Cotovia.


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O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde

Robert Louis Stevenson

Inspirado por um sonho – ou talvez um pesadelo –, Robert Louis Stevenson escreveu a sua mais célebre novela, O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde, num único fôlego, em apenas três dias. Deu-a então à mãe, para que esta lhe dissesse o que achava, mas os comentários não foram particularmente inspiradores. Achava esta que a história funcionaria melhor na forma de alegoria. Stevenson, então doente e delirante, não fez por menos: decidiu queimar o manuscrito para o refazer de raiz. Podia ter acabado mal, mas numa impressionante demonstração de tenacidade acabou mesmo por rescrever a novela, de cabeça, em menos de uma semana.


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O Processo

Franz Kafka

“Meu querido Max, o meu último pedido: tudo o que deixo para trás, na forma de diários, manuscritos, cartas (minhas e de terceiros), rascunhos e outros, deve ser queimado sem ser lido.” A nota póstuma de Kafka deixava clara a vontade do autor, mas Max Brod entendeu desrespeitar a vontade do amigo. Em vez de os queimar, leu, reviu e publicou todos (ou quase todos) os textos deixados pelo autor checo. Deve-se a ele a atual existência de clássicos como o claustrofóbico e quase surrealista O Processo.


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Eneida

Vergílio

Vergílio levou cerca de 11 anos a escrever Eneida, um longo poema épico centrado nas mitológicas aventuras do troiano Eneias, mas mesmo assim achou que a história não estava devidamente trabalhada e, às portas da morte, deixou instruções para que o manuscrito fosse queimado. À semelhança do que aconteceu com Kafka, também aqui o desejo do falecido foi negado: não só Eneida foi publicado, como não passou sequer por uma cuidada revisão, chegando aos leitores com diversas gralhas e incorreções.


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A Confederacy of Dunces

John Kennedy Toole

Devastado com as inúmeras rejeições editoriais recebidas pelo seu primeiro romance, John Kennedy Toole caiu em depressão e acabou por se suicidar. Valeu-lhe (e a nós) a sua mãe, que ainda assim insistiu no livro. Thelma Toole passou 11 longos anos a insistir com autores e editoras para que lessem o trabalho do filho. À custa da sua inabalável persistência, A Confederacy of Dunces acabou mesmo por ser publicado, tornando-se a partir daí um clássico de culto e dando a ganhar a John Kennedy Toole um Pulitzer póstumo.


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Harry Potter e a Pedra Filosofal

J. K. Rowling

Quando ainda não lhe passava pela cabeça que se viria a tornar uma das mais ricas e influentes escritoras do mundo, J. K. Rowling (ou Joanne Rowling, como era então conhecida) obrigava-se a digitar manualmente todas as cópias do seu primeiro manuscrito para evitar pagar por fotocópias de cada vez que o enviava à apreciação das editoras. Não obstante, foi rejeitada inúmeras vezes. Diziam-lhe que o livro era demasiado longo e que histórias para crianças não davam dinheiro. Eis que, quando já não parecia haver esperança para as aventuras do jovem feiticeiro, um editor decidiu dar o livro à filha de oito anos, que não só o adorou como exigiu uma continuação. O resto, como se costuma dizer, é história.


Por Tiago Matos

 

 

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