50 anos de J. K. Rowling

estante-revista-fnac-j-k-rowling-aniversarioFotografia: ©Andrew Montgomery, Wall to Wall Media Ltd.

Uma das mais respeitadas autoras da atualidade chega hoje aos 50 anos. Aproveitamos a data para recordar as principais etapas da carreira de J. K. Rowling.

Joanne Kathleen Rowling. “Jo” para família e amigos, “J. K. Rowling” para o resto do mundo. Hoje uma das mais ricas e influentes personalidades do planeta, a autora nasceu a 31 de julho de 1965, na cidade inglesa de Yale, em Gloucestershire, e começou desde cedo a escrever histórias de fantasia para a irmã. No entanto, só aos 32 anos publicou o primeiro romance, precisamente aquele que haveria de mudar a sua vida.

Harry Potter

E se um rapaz aparentemente normal ingressasse numa escola para feiticeiros? A ideia surge a J. K. Rowling no decurso de uma longa viagem de comboio entre Manchester e Londres, mas a britânica passa cinco anos de grande turbulência pessoal a passá-la para o papel. A sua mãe morre no final de 1990 – experiência que terá influenciado a decisão de tornar Harry Potter órfão – e Rowling muda-se para Portugal, onde passa alguns anos a ensinar Inglês na cidade do Porto. É por terras lusitanas que casa e tem a primeira filha, mas a união acaba mal e a autora regressa à Grã-Bretanha sem emprego ou dinheiro e com uma filha para cuidar.

Enquanto se debate com pensamentos suicidas, encontra tempo para terminar o livro sobre o jovem feiticeiro. No entanto, Harry Potter e a Pedra Filosofal é rejeitado por mais de uma dezena de editoras. As justificações: o mercado infantil é pouco apelativo, o livro é demasiado longo para poder ser lido por crianças, os rapazes não aceitam ler livros de fantasia escritos por mulheres, etc. Eis que, por fim, o presidente da Bloomsbury dá um excerto do livro à filha de oito anos. Esta gosta tanto do que lê que lhe exige mais. Decide então investir-se na desconhecida J. K. Rowling, uma aposta que se revela um gigantesco sucesso.

No espaço de uma década, Rowling publica mais seis livros protagonizados pelo jovem órfão: Harry Potter e a Câmara dos Segredos, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Harry Potter e o Cálice de Fogo, Harry Potter e a Ordem de Fénix, Harry Potter e o Príncipe Misterioso e Harry Potter e os Talismãs da Morte. A saga de fantasia é entretanto inteiramente adaptada ao cinema, ganha tradução para 73 línguas e torna-se detentora do recorde de mais vendida de sempre, movimentando mais de 450 milhões de exemplares em todo o mundo.

Uma Morte Súbita

Depois de mais de uma década de Harry Potter, J. K. Rowling está mais do que disposta a mudar de género e público-alvo. Curiosamente, é uma vez mais durante uma viagem, desta feita num avião em direção aos Estados Unidos, que tem a ideia do que virá a ser o seu primeiro romance para adultos: Uma Morte Súbita.

Focando-se nas agruras de uma pequena comunidade inglesa após a morte de um conselheiro paroquial, o novo livro de Rowling aborda temas como prostituição, racismo, violência doméstica, violação e suicídio, tendo por isso um tom bastante diferente daquele a que os seus leitores estão habituados. A expectativa em redor do primeiro romance pós-Harry Potter de J. K. Rowling também é imensa, ao ponto de a autora apenas se sentir confortável para o publicar em 2012, cinco anos após o último livro da saga de Potter. Não obstante as dificuldades, Uma Morte Súbita torna-se rapidamente um dos mais vendidos livros do ano, mostrando uma nova faceta da autora.

Robert Galbraith

A lição que J. K. Rowling aprende com Uma Morte Súbita é que a pressão é descomunal quando se é a autora de Harry Potter. Todos os seus novos livros são um acontecimento e isto não lhe permite dar largas à criatividade como bem entende. A solução encontrada: se o problema é ser J. K. Rowling, a resposta é deixar de o ser. Nasce assim Robert Galbraith.

Em 2013, chega às livrarias Quando o Cuco Chama, um romance policial que é também o primeiro livro escrito por um militar reformado de nome Robert Galbraith. O título passa relativamente despercebido do ponto de vista comercial, mas a crítica especializada recebe-o com grande entusiasmo. Na verdade, o livro é tão bom que suscita suspeitas: como pode um autor estreante e inexperiente produzir um trabalho tão maduro e consistente? Iniciam-se investigações, fazem-se análises linguísticas e chega-se por fim à conclusão: Robert Galbraith é J. K. Rowling.

A notícia tem um impacto imediato nas vendas do livro, que aumentam quase 4000% a partir do momento em que Rowling é confirmada como a verdadeira autora. A britânica lamenta, contudo, a descoberta, recordando a satisfação de trabalhar sem a pressão do próprio nome e no seu género favorito. Acaba por decidir não abandonar o pseudónimo. Mantém-no na publicação de O Bicho-da-Seda e, já este ano, de Career of Evil.

Como J. K. Rowling ou Robert Galbraith, na fantasia ou no policial, a britânica chega aos 50 anos com provas mais que suficientes do seu valor, justificando por inteiro o estatuto de uma das referências máximas da literatura atual. Há que aguardar para perceber que mais surpresas terá reservadas para o futuro.


Por: Tiago Matos

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