50 anos de Mafalda

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Mafalda Eterna

“Parem o mundo, quero descer!!”, dizia mafalda. Com este olhar infantil e inocente – metade agressiva e metade despreocupada – a menina que tem entre 6 e 8 anos, cabelo escuríssimo e vestido às bolinhas continua a fazer eco dos seus sempre atuais comentários no imaginário das novas gerações


TUDO PASSA DE MODA, dizem. Mas Mafalda não. A história criada por Joaquín Salvador Lavado, “Quino”, – que recebeu das mãos de Felipe de Espanha o prémio Príncipe de Astúrias para a Comunicação e Humanidades no final de outubro passado – foi publicada em 30 países e traduzida em 15 idiomas. Acabou de fazer 50 anos, durante os quais o mundo mudou vertiginosamente: das cartas por correio aos tablets, de escrever à máquina ou esperar por um telegrama a comunicar para o outro lado do mundo de forma instantânea, da família-tipo ao reinado da disfuncional e do cinema ao streaming.

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Mafalda


 A propósito dos 50 anos de Mafalda, as melhores histórias foram reunidas num livro comemorativo. Uma festa ao estilo da emblemática personagem.

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Quino


Filho de imigrantes espanhóis da Andaluzia, nasceu em 1932 na província de Mendoza, na Argentina. Desde cedo é chamado pelos familiares pelo apelido com que é conhecido – Quino – para diferenciá-lo do tio com o mesmo nome, desenhador, com quem com apenas 3 anos aprendeu o gosto pela arte do desenho.

 

 

No entanto, há obras que não envelhecem e transcendem a passagem do tempo. Mafalda é uma delas: a história de Quino, surgiu de uma encomenda publicitário de uma fábrica de eletrodomésticos argentina mas, depois de ficar fora da campanha, transformou-se num dos maiores clássicos da literatura infanto-juvenil – e não tanto – argentina.

Em 2007, Mafalda foi declarada património cultural de Buenos Aires mas 40 anos antes a Unicef escolheu-a para imagem da campanha da Declaração dos Direitos da Criança. Além disso, em Buenos Aires existe uma praça com o nome, vários murais, uma estátua e uma placa na entrada do edifício onde vivia Quino e até versões televisivas. Naturalmente, quase não existe em Buenos Aires quem não a tenha lido, não tenha algum livro da coleção ou não saiba qual o estereótipo que a Susanita, a melhor amiga de Mafalda, representa. A propósito do aniversário, este ano organizaram-se três exposições: “Mafalda na sua sopa” que, através de esquissos e fotografias de grafitis, tenta revelar qual foi o impacto que Mafalda causou nos seus leitores; “50 anos de Mafalda” dirigida especialmente a escolas e ateliês, com atividades interativas, visita à casa de Mafalda e uma galeria de tiras selecionadas; e, por último, “Quino por Mafalda”, que exibe uma seleção destacada da produção completa de Quino, incluindo historietas, inéditos, originais, revistas de época e objetos, entre outros.

Eterna e inigualável, interpretou a realidade argentina como nenhuma outra. E parte do seu legado foi ensinar a cinco ou seis gerações a discutir política. E a olhar para o mundo a partir de outra perspetiva, sempre com a fantasia de poder descer.

Por Julieta Bilik, em Buenos Aires

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