5 sequelas tão ou mais famosas
que os livros originais

livros-sequelas-melhores-que-o-original

O original é sempre melhor que a sequela? Talvez não. Conheça cinco casos em que o livro seguinte superou o sucesso do anterior.


As Aventuras de Huckleberry Finn

Mark Twain

Se é verdade que As Aventuras de Tom Sawyer é uma das melhores – e mais divertidas – obras da literatura infantojuvenil, também o é que a sua sequela, As Aventuras de Huckleberry Finn, a ultrapassa tanto em relevância como em profundidade. No primeiro livro, Huckleberry Finn é apenas um personagem secundário, companheiro ocasional do irrequieto Tom Sawyer, mas no segundo é através dos seus olhos que entramos na realidade precária – e com frequência racista – dos Estados Unidos no século XIX. Evidenciando as questionáveis morais da época num relato tão honesto como despudorado, Mark Twain fez desta sequela uma obra complexa e intemporal.


O Senhor dos Anéis

J. R. R. Tolkien

Conhecido como uma trilogia de livros – A Irmandade do Anel, As Duas Torres e O Regresso do Rei –, já para não falar de uma das obras mais influentes de sempre da literatura fantástica, O Senhor dos Anéis foi, na verdade, concebido como uma sequela de O Hobbit. Mas enquanto a primeira aventura de Bilbo Baggins foi desde o início concebida para um público infantil, em O Senhor dos Anéis J. R. R. Tolkien decidiu-se por um tom mais sombrio e adulto, possivelmente influenciado pela Segunda Guerra Mundial que decorria enquanto escrevia. Na verdade, existe até quem acredite que o precioso anel no qual a trilogia se centra representa a bomba atómica e a ânsia desenfreada pelo poder global. A maior complexidade e o apelo a um público mais vasto acabou por fazer desta sequela em três volumes uma das mais populares obras de sempre.


Odisseia

Homero

Quis o destino que as duas obras que conhecemos hoje como as mais antigas da literatura ocidental estejam intimamente relacionadas. Em Ilíada, poema épico atribuído a Homero, compreendendo mais de 15 mil versos presumivelmente escritos no período entre 760 e 710 a. C., narram-se os eventos do último ano da Guerra de Troia. Odisseia, do mesmo autor, é uma sequela direta do primeiro, mas centra-se num único herói, Ulisses, e no seu atribulado regresso a casa após a guerra. Embora ambos os trabalhos sejam de uma importância extrema (não só para a literatura mas para o conhecimento da Grécia Antiga), a estrutura não-linear e o formato focado e episódico de Odisseia revelaram-se mais populares, influenciando o desenvolvimento de outras obras épicas, entre as quais Os Lusíadas, de Luís de Camões.


L. A. Confidential

James Ellroy

Depois de A Dália Negra e The Big Nowhere e antes de White Jazz – Noites Brancas, que encerrou um quarteto de romances criminais passados em Los Angeles entre as décadas de 1950 e 1960, James Ellroy fez da cidade palco de um brutal homicídio em massa, num caso com muito sexo e corrupção à mistura, em L. A. Confidential. Os protagonistas são três agentes de personalidades inteiramente distintas, pertencentes ao Departamento de Polícia de Los Angeles, que se veem obrigados a trabalhar juntos para descobrir quem esteve por trás do massacre. Embora as obras anteriores – e em especial A Dália Negra – também tenham sido bem recebidas, L. A. Confidential é ainda hoje o mais popular título da carreira de Ellroy.


O Silêncio dos Inocentes

Thomas Harris

É possível que a popularidade de O Silêncio dos Inocentes se deva essencialmente à adaptação cinematográfica protagonizada por Jodie Foster e Anthony Hopkins. Há quem acredite, no entanto, que o enorme sucesso da sequela de Dragão Vermelho se deva à inclusão da personagem Clarice Starling, uma jovem aprendiz do FBI com a qual os leitores se conseguem facilmente identificar. Até porque, recorde-se, os dois livros fazem parte de uma série – que também inclui Hannibal e Hannibal: A Origem do Mal – centrada num psiquiatra canibal de nome Hannibal Lecter, um antagonista no qual a maioria dos leitores dificilmente se conseguirá reconhecer. Seja como for, certo é que O Silêncio dos Inocentes permanece o principal êxito da carreira de Thomas Harris e um dos poucos casos em que a sequela supera em sucesso o original.


Por Tiago Matos

Gostou? Partilhe este artigo: