5 romances para quem gosta de ler muito

Quem tem medo de livros com muitas páginas? Aventure-se a explorar alguns dos romances mais longos de sempre.

 


A Piada Infinita

David Foster Wallace

Quetzal

Há quem o aponte como o melhor livro que ninguém consegue terminar. É um exagero, naturalmente, mas a obra que lançou em definitivo David Foster Wallace para a alta roda da literatura é, sem dúvida, um desafio para qualquer leitor. Não basta que A Piada Infinita tenha 1100 páginas; tem-nas no estilo frenético e por vezes tresloucado de Wallace. Isto inclui, por exemplo, centenas de notas de rodapé – algumas das quais com as suas próprias notas –, um enredo passado num futuro distópico em que Estados Unidos, Canadá e México são um único estado, e uma exploração quase enciclopédica de assuntos tão díspares como ténis ou filmologia.


 

Os Miseráveis

Victor Hugo

Publicações Europa-América

Quando publicou Os Miseráveis, em 1862, Victor Hugo deu a conhecer a sua ambição: “Não sei se será lido por todos, mas foi feito para todos.” No entanto, e embora a qualidade da história tenha feito do livro um clássico, a sua dimensão tem assustado muitos leitores ao longo dos anos. A edição em português da Publicações Europa-América tem 1206 páginas, divididas em cinco secções distintas. A narrativa tem, na maior parte do tempo, Jean Valjean como personagem central. Depois de anos preso por roubar um pedaço de pão, o francês acaba por se tornar um dos homens mais ricos de França. Pelo meio, um grupo de estudantes prepara uma revolução.


 

Guerra e Paz

Lev Tolstoi

Relógio d’Água

Quando se pensa em literatura de escala épica, o primeiro título que nos vem à cabeça é geralmente o deste clássico de Tolstoi. Em Guerra e Paz, o autor russo acompanha a campanha de expansão de Napoleão – e em particular a invasão da Rússia – entre os anos de 1805 e 1820. Pelo meio, são-nos apresentadas centenas de personagens, alternam-se perspetivas, fazem-se longos apartes filosóficos… e constrói-se um dos melhores romances históricos de sempre. A mais recente edição da Relógio d’Água divide a história em duas partes: o Volume 1 tem 672 páginas e o Volume 2 tem 688, perfazendo um total de 1360.


 

O Homem Sem Qualidades

Robert Musil

Dom Quixote

O austríaco Robert Musil passou mais de 20 anos a trabalhar na sua obra-prima, mas ainda assim morreu sem a terminar. Deixou, não obstante, três volumes de um longo romance centrado num matemático que procura descobrir o seu lugar numa Viena em mudança – e prestes a entrar em guerra – no início do século XX. Publicado em Portugal pela Dom Quixote, o primeiro volume de O Homem Sem Qualidades tem 840 páginas, o segundo tem 456 e o terceiro tem 544. Nas 1840 páginas do romance inacabado de Musil encontra-se o porquê de este ter sido tão respeitado e admirado por nomes como Hermann Broch e Thomas Mann.


 

Em Busca do Tempo Perdido

Marcel Proust

Relógio d’Água

Muitos consideram Marcel Proust um dos melhores escritores de sempre. O facto de apenas ter publicado um romance em vida é, então, testemunho da imensa qualidade da obra. Publicado em sete volumes – Do Lado de Swann, À Sombra das Raparigas em Flor, O Lado de Guermantes, Sodoma e Gomorra, A Prisioneira, A Fugitiva – Albertine Desaparecida e O Tempo Reencontrado – perfaz um total de 3240 páginas narradas na primeira pessoa por um homem que recorda a infância, a aprendizagem e as principais experiências da sua vida. A leitura desta gigantesca história pode ser demorada, mas o mais provável é que não dê o seu tempo por perdido: o romance é presença comum nas listas de melhores livros do século XX.


Por: Tiago Matos

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