5 mulheres da literatura que nos ensinam sobre a vida

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Helena Magalhães
Jornalista e escritora, acredita que quando a vida nos dá limões devemos largar o nosso emprego e tornarmo-nos escritores. Quando não está a ler e a mimar os seus gatos, poderão encontrá-la a escrever no Observador, no Brasil Post e, para uma dose de girl power, no seu blogue. É obcecada por literaturas clássicas, jazz, Lisboa e limonada.

Há livros que nos entretêm, livros que nos ajudam a passar o tempo, livros que nos ensinam, livros que nos encantam antes de adormecer. Há livros que nos ficam na memória, livros que nos falam às emoções, livros que nos tocam a alma, livros que mudam a nossa personalidade, que nos ensinam a ser melhores, que nos fazem descobrir quem somos realmente.

Há livros que se tornam tesouros, que sobrevivem ao passar dos anos e continuam a viver dentro de nós – mesmo depois de os termos acabado de ler. São esses que continuam a tornar a literatura uma das grandes magias do nosso mundo.

Sempre fui uma criança apaixonada por esta magia – e não pensem que era uma miúda estranha, porque fiz tudo o que qualquer outra rapariga fez. Mas desenvolvi uma arte de correr pelo dia a pensar nas personagens com quem queria falar à noite. Esta necessidade de largar o (nosso) mundo para entrar noutro acompanhou-me a vida toda. E hoje, centenas e centenas de livros depois, ainda continuo a sentir aquele formigueiro na ponta dos dedos ao folhear. E sei que me esbarrei com um bom livro – os mágicos, os que continuam a viver dentro de nós muito tempo depois de os termos terminado de ler – quando passo o dia numa ânsia de chegar a casa para mergulhar na leitura.

Aos 30 anos, a literatura feminina continua a ser a minha favorita. A que mais me deixa a pensar. A que mexe com o meu coração. E que me ajuda a construir a mulher que quero vir a ser. Para as mulheres que se querem conhecer e para os homens que (corajosamente) as querem conhecer a elas, cinco leituras mágicas que mudaram a minha vida.


9789724616391

Sorte

É uma sorte para quem se cruzar com este livro: relata as memórias de uma jovem que foi violada e é um poderoso livro de sobrevivência. Ao ler, passei por muitas emoções, diálogos internos e, longe de ser um livro vitimizado, ajuda-nos a compreender como, ao longo da vida, temos de lutar connosco próprias e puxar-nos para fora de qualquer que seja o buraco em que a vida nos coloque.

Autora: Alice Sebold
Editora: Casa das Letras


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Orgulho e Preconceito

Cruzei-me com Jane Austen por mero acaso na adolescência e eventualmente este foi o livro que mudou para sempre a minha forma de ver o papel da mulher na vida, nas relações e na sociedade. Saliento que a primeira publicação foi feita em 1813 e Austen conseguiu narrar uma sociedade que em praticamente tudo se assemelha aos dias de hoje. É um livro para mulheres – sobre o impacto que as nossas escolhas e valores têm. E para homens – para entenderem o que as mulheres realmente querem deles.

Autora: Jane Austen
Editora: Editorial Presença


9789722040808

O Grupo

Este livro, publicado em 1963 e antes de toda a febre de O Sexo e a Cidade, acompanha um grupo de amigas nos anos 30 em Nova Iorque e mostra-nos que, apesar dos avanços sociais e culturais, muitas das preocupações das mulheres continuam a ser as mesmas: sexo, casamentos, gravidez, adultério, homossexualidade, estatuto… Um livro que, na altura, foi banido por ser muito à frente do seu tempo e onde todos os homens protagonistas eram infiéis e foram desvalorizados pela autora.

Autora: Mary McCarthy
Editora: D. Quixote


9789896412289

Jane Eyre

A minha categoria de mulheres favoritas são as independentes e Jane Eyre, publicado em 1847, pode ter sido confundido com um mero romance mas, na verdade, é uma poderosa história de uma protagonista forte, emancipada, selvagem e destemida, anos-luz à frente do seu tempo. Além de nos fazer mergulhar em todas as convenções sociais do século XIX, Jane Eyre mostra-nos uma personagem que rejeita ser salva pelo amor por não querer abdicar dos seus valores morais e da sua ideia do que é certo ou errado.

Autora: Charlotte Brontë
Editora: Relógio D’Água


9789722036825

Amor de Perdição

Não é propriamente uma leitura feminina, embora a protagonista Teresa represente uma jovem obstinada que se mantém inflexível e resoluta naquilo que quer. Mas numa altura em que as relações são descartáveis, de consumo rápido e intermitentes, este é um clássico português cada vez mais obrigatório nos dias de hoje. Embora seja um romance fatalista, mostra-nos o lado melancólico do amor que deixámos de conhecer. Relembro que é inspirado em factos reais, o que o torna ainda mais importante: uma leitura – para homens e mulheres – para se conseguir voltar a entender a urgência de amar.

Autor: Camilo Castelo Branco
Editora: Leya


 

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