5 livros que reinventam o conceito de poesia

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Se já conheces os grandes clássicos da poesia e estás preparado para algo diferente, temos os livros ideais para ti.

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No Rasto dos Duendes Elétricos

Adolfo Luxúria Canibal

A distinção de Bob Dylan, em 2016, com o Nobel da Literatura parece ter colocado um ponto final na velha questão: sim, as letras de música também podem ser poesia. E da boa. Basta pensar nos trabalhos de letristas como Leonard Cohen, Nick Cave, Patti Smith ou The Beatles. Mas não se pense que é só lá fora que há boas letras. Veja-se o exemplo de Adolfo Luxúria Canibal, o carismático líder dos Mão Morta, e desta antologia que reúne 40 anos da sua poesia cantada, recheada da irreverência que tão bem o caracteriza.


No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Morro no altar de ti

Love Her Wild

Atticus

Se gostas de poesia, é muito provável que já tenhas ouvido falar de Rupi Kaur. A jovem autora começou por partilhar os seus poemas visuais nas redes sociais e logo se expandiu, com grande sucesso, para o mundo dos livros com Leite e Mel e O Sol e as Suas Flores. Se aprecias o seu estilo (ou pelo menos a ideia de poesia visual “instagramável”), também vais gostar de conhecer a obra de Atticus, um poeta mascarado conhecido pelos textos curtos e de impacto imediato. Love Her Wild foi a sua primeira coleção.


It seems to me,
that love could be labeled poison
and we’d drink it anyways.

O Eremita Viajante

Matsuo Bashō

Estamos mesmo a incluir um poeta do século XVII numa listagem de inovadores da poesia? Sim, estamos. Porque foi precisamente isso que o japonês Matsuo Bashō fez na sua era: inovar. Reinventar o conceito tradicional de poesia. E é impressionante, mas o estilo que utilizou para o fazer, o haiku, continua a parecer fresco e moderno, tantos anos depois. Na língua original, cada poema haiku é constituído por apenas 17 sílabas, distribuídas por três versos de cinco, sete e cinco sílabas. O conteúdo, esse, é ilimitado.


o meu saké é branco
o meu arroz é escuro
e neste mundo há flores

Aqui a Princesa Salva-se Sozinha

Amanda Lovelace

Há quem diga que os textos de Amanda Lovelace não são poesia, mas sim pequenos pedaços de prosa formatados como poesia. Nós dizemos que são. E a autora também. As críticas, de acordo com a própria, são apenas uma forma de a separar dos “poetas a sério”, ou seja, “homens brancos, cisgénero, heterossexuais, mortos”. A personalidade forte de Lovelace é igualmente evidente nos seus textos, marcadamente autobiográficos. Este é o seu primeiro livro, mas também podes ler The Witch Doesn’t Burn in This One e The Mermaid’s Voice Returns in This One.


chegou
um tempo
quando
a poesia
me mostrou
como poderia
sangrar
sem a necessidade
do sangue.
o meu mais fiel amante.

Eunoia

Christian Bök

Não te vamos mentir: este é um livro bastante estranho. Trata-se, afinal, de uma antologia de poesia monovocálica inspirada no movimento OuLiPo. Nós explicamos: Eunoia é composto por cinco capítulos, cada um dos quais dedicado a uma das cinco vogais. Em cada capítulo, a única vogal utilizada é a mesma que lhe dá título. Ou seja, no capítulo dedicado ao “A”, apenas são utilizadas palavras com “A”, não cabendo mais nenhuma vogal. E por aí fora. Os textos são apresentados em bloco, fugindo ao formato mais habitual da poesia. Ficaste curioso?


Writing is inhibiting. Sighting, I sit, scribbling in ink this pidgin script.

Por: Tiago Matos

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