1984-1988: Os livros que recordamos (e recomendamos)

A década continua.

As rádios são invadidas pelo viciante “We Are the World”, uma canção que reúne artistas como Michael Jackson, Lionel Richie, Cindy Lauper, Bob Dylan, Stevie Wonder, Ray Charles e Bruce Springsteen. Em Portugal realiza-se o primeiro transplante cardíaco. A cidade ucraniana de Chernobyl é assolada por um desastre nuclear. O filme The Breakfast Club (ou simplesmente O Clube) permite-nos um melhor entendimento dos diversos perfis e problemas dos adolescentes. É assinado o Ato Único Europeu (que, mais tarde, dá origem à União Europeia). Entretanto, o mundo dos livros é dominado pela magia de nomes como Milan Kundera, Patrick Süskind e Gabriel García Márquez. E em Portugal destacam-se obras que apelam à História e a poesia de Al Berto. Para recordar.

A Insustentável Leveza do Ser

Milan Kundera
Dom Quixote

Em plena Primavera de Praga, a tensão política serve de cenário aos dilemas de um triângulo amoroso ’formado por um médico boémio, uma artista plástica e uma empregada de mesa que sonha ser ’fotógraf’a.


Através de um enredo amoroso, levou-me a viajar no que há de mais profundo no ser humano, no que o leva a ações tão pouco compreensíveis, incoerentes. Personagens complexas como todos somos, que nos são apresentadas em toda a sua nudez. — Ana Zanatti

A Voz dos Deuses

João Aguiar
Asa

A história de como Viriato se torna o “pesadelo” de Roma e incentiva a revolta de um mundo asf’ixiado pelos avanços do Império Romano.


A Voz dos Deuses dá 5-1 ao Memorial do Convento. Se tivesse sido escrito nos Estados Unidos, já era um filme fantástico há muito tempo. É um livro que nos devolve as raízes mais ancestrais que perdemos. — José Cid

O Amor nos Tempos de Cólera

Gabriel García Márquez
Dom Quixote

A história de amor de Florentino e Firmina é acompanhada por ref’lexões sobre a vida, a morte e a traiçoeira passagem do tempo.


Foi um livro que devorei completamente. É raro um livro envolver-me dessa maneira. Este foi dos poucos que conseguiu. Marcou-me muito. — Zé Pedro (Xutos e Pontapés)


A perfeição literária insuperável. — António Sala


Li quase tudo de Gabriel García Márquez e sempre me tocou pela inteligência da escrita e pela extrema sensibilidade para com a sabedoria dos simples. — Rui Veloso


Adorei, ao contrário da maioria dos admiradores do Gabriel. É um relato de uma paixão indestrutível, que é o que todos procuramos neste mundo, e que nem o tempo, a velhice ou o desgaste conseguem beliscar. — Ana Maria Magalhães


Li quase todos os livros do Gabriel García Márquez. É extraordinário, retrata as coisas naquele mundo da América Latina de forma muito especial. Escreve maravilhosamente. — Mário Zambujal


García Marquez é o grande escritor do último quartel do século XX e este livro confirma isso mesmo. A história de amor é fantástica, é um livro ternurento, envolvente. É o  grande García Marquez. — Miguel Sousa Tavares


O Amor nos Tempos de Cólera é um romance em que o autor narra de forma humorística e poética as aventuras e desventuras da própria felicidade humana e o difícil triunfo do amor. Numa escrita tão fluida que revela bem o prazer de narrar tão característico de Garcia Márquez. — Dina Aguiar


Introduziu-me o realismo fantástico, numa extraordinária exaltação do amor que tudo vence. — Ana Zanatti

Contacto

Carl Sagan
Gradiva

O escritor e astrof’ísico Carl Sagan relata-nos o primeiro encontro da espécie humana com seres extraterrestres dotados de inteligência.


Enquanto cientista, Carl Sagan tem todos os ingredientes para uma incursão pela ficção científica. Contacto defende a ciência e questiona o mundo tal como o conhecemos. A ideia central do livro é levar o leitor a questionar a fé e a religião, pondo em confronto a razão e a fé e mostrando que através da ciência e da razão podemos experimentar o fascínio do universo. — Dina Aguiar

O Perfume

Patrick Süskind
Editorial Presença

Dotado de uma incrível capacidade olf’ativa, Jean-Baptiste Grenouille torna-se obcecado em encontrar a essência per’feita. Atraído pela ’fragrância de jovens mulheres, não hesita em matá-las para cumprir o seu objetivo.


É a busca da essência mais pura! O âmago da essência! E é o prazer de acompanhar essa busca através da maravilhosa escrita de Patrick Süskind. — Lídia Franco


O autor apresenta um século em que os cheiros são nauseabundos, de forma realista. Não é fácil classificar cheiros e ele encontrou muitas imagens sugestivas. — Ana Maria Magalhães


Uma obra-revelação dos finais do século passado. O Perfume dá-nos conta de uma vida atribulada, quase picaresca, de uma criança sem odor próprio (porém com uma memória olfativa prodigiosa) que, à medida que vai crescendo, investe na busca de uma essência perfeita, absoluta. Por entre uma França do séc. XVIII, assistimos à deambulação de uma demanda incansável por parte de uma criatura que se vai convertendo em assassino em série. Um quadro interessante de ‘reconstituição histórica’ adaptado ao cinema há precisamente uma década. — Dina Aguiar

O Medo

Al Berto
Assíro & Alvim

A antologia da poesia escrita por Al Berto entre 1974 e 1986 tornou-se o seu mais poderoso testemunho e ’foi crescendo nas edições publicadas após a sua morte.

O Diário de Um Mago

Paulo Coelho
Pergaminho

O leitor acompanha Paulo Coelho enquanto este percorre o lendário caminho de Santiago de Compostela em busca de sabedoria e inspiração.

A Costa dos Murmúrios

Lídia Jorge
Dom Quixote

Lídia Jorge partilha recordações da Guerra Colonial em Moçambique a partir da história de amor de Eva Lopo e Luís Alex, militar do regime salazarista.


É um excelente livro, com uma prosa ágil, inspiradora, tocante. — Mário Zambujal


A escrita de Lídia Jorge é misteriosa, quase codificada, como se a cada passo eu tivesse de decifrar os enredos que contêm personagens de grande complexidade humana. É uma obra que coloca o feminino e o masculino num frente-a-frente poderoso, que mergulha na intimidade do ambiente da guerra, na destruição, na solidão a que ela nos conduz. — Ana Zanatti


O quarto romance de Lídia Jorge, mas talvez aquele que mais projeção internacional deu à autora. Uma escrita no feminino que muito bem concilia uma vivência em cenário de conflito colonial com um olhar singular sobre um ‘universo de homens’. Uma das primeiras narrativas a abordar o tema da guerra em África, com distanciamento temporal mas com uma proximidade real e afetiva que, de certo modo, fundou um novo género na literatura portuguesa e marcou a minha geração. — Dina Aguiar

Lunário

Al Berto
Assírio & Alvim

Retrato da vida boémia e das paixões ef’émeras de uma geração jovem, vazia de ambições e repleta de angústias.

O Pêndulo de Foucault

Umberto Eco
Gradiva

Três redatores italianos tentam desvendar um segredo ocultado pela Ordem do Templários. Existiu mesmo um plano para dominar o mundo?

Gente Feliz com Lágrimas

João de Melo
Dom Quixote

Os emigrantes dos Açores que, em meados do século XX, partiram para a grande metrópole, inspiraram João de Melo a ref’letir sobre as nossas raízes e a ’fragilidade das relações.

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