1980-1983: Os livros que recordamos (e recomendamos)

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Estamos em plena Guerra Fria.

Começam a aparecer os primeiros computadores. A música é dominada por nomes como Michael Jackson, Madonna e David Bowie. O vírus do VIH torna-se uma ameaça real. A princesa Diana é recebida oficialmente como membro da realeza britânica. A MTV nasce como canal televisivo. Margaret Thatcher é primeira-ministra do Reino Unido. Ronald Reagan, Presidente dos Estados Unidos, é alvo de uma tentativa de assassinato.

No meio do frenesim, o mundo literário dá asas à imaginação. Este arranque de década é especialmente frutífero para a literatura, servindo de berço a grandes obras da ficção. Portugal não foge à regra e vê nascer, neste período, volumes que hoje são de leitura quase obrigatória. O leque é vasto e variado: crónicas, histórias de amor arrebatadoras, mistérios de cortar a respiração, romances históricos… Ora espreita.

Os Filhos da Droga

Os Filhos da Droga

Christiane F.
Bizâncio

Para romper o silêncio sobre o impacto das drogas nos jovens, Christiane F. relata a sua própria história: de adolescente viciada em heroína à vida como prostituta. Originalmente publicado em 1978, o livro chega a Portugal no início da década de 1980 e rapidamente se torna um sucesso.


É uma viagem ao mundo da droga e a tudo o que ele implica na perda da dignidade humana…Vale a pena ler para percebermos o desespero de quem está nesta vida. — Dina Aguiar

Uma Conspiraá∆o de Est£pidos

Uma Conspiração de Estúpidos

John Kennedy Toole
Relógio D’Água

Ignatius J. Reilly tem 30 anos e vive com a mãe. Na luta para encontrar um emprego digno, é alvo de conspirações por parte de um pitoresco elenco de personagens.

O Nome da Rosa

O Nome da Rosa

Umberto Eco
Gradiva

O ’franciscano inglês Guilherme de Baskerville trans’forma-se em Sherlock Holmes da Idade Média na sequência do assassinato de vários monges.


Tocou-me profundamente. Nenhum dos vários medievalistas que li, que estudei, conseguiu construir uma história das mentalidades medievais como esta obra ímpar. — Francisco Moita Flores


O Umberto Eco fez um livro absolutamente espantoso. Li quase sem respirar, ansiosa para recomeçar. Foi absolutamente marcante. — Ana Maria Magalhães


É um livro notável, que não se pode deixar de ler. Espero até poder lê-lo com mais vagar, um dia. — Mário Zambujal


É um clássico da literatura europeia de todos os tempos, quer como escrita quer no género literário. — Miguel Sousa Tavares


Um livro histórico-policial sobre a vida monástica na Idade Média e sobre a obstinação da Igreja em permitir a disseminação do conhecimento e o progresso da humanidade. Umberto Eco recorre à intertextualidade para desenvolver a narrativa na busca pela verdade, de forma labiríntica, misteriosa e profunda, numa complexidade de enredo que prende o leitor e o leva a perceber melhor as perseguições da Inquisição. Uma obra que trouxe Umberto Eco a Lisboa, por ocasião do lançamento da tradução em Portugal, e que encheu pelas costuras o principal Anfiteatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde tive a honra de estar.  — Dina Aguiar


O fascínio narrativo apaixonante.  — António Sala


Umberto Eco guiou-me através de um enredo intrigante passado na Idade Média, à volta de crimes e mistérios dentro de uma abadia. Eco pensador e especialista na Idade Medieval ajudou-me, através desta intriga, a penetrar no espírito medievalista, no pensamento e domínio da Igreja que a todo o custo queria ser a única detentora do conhecimento. É também sobre a importância de questionarmos o que nos rodeia, de buscarmos incessantemente algo que nos traga alguma luz. Tudo temas que me interessam muito e nos quais entro sem resistência. — Ana Zanatti

Cr¢nica dos Bons Malandros

Crónica dos Bons Malandros

Mário Zambujal
Clube do Autor

O autor apresenta-nos um gangue contratado para roubar obras de arte do Museu Calouste Gulbenkian. Só que o assalto não corre como planeado…


Foi uma pedrada no charco na literatura portuguesa. É um livro sem pretensões, muito humano, muito marcante e de fácil aderência. — Miguel Sousa Tavares


Crónica dos Bons Malandros é uma divertida comédia bem ao jeito do seu autor, meu amigo e colega de profissão, Mário Zambujal. Mais do que criminosos, os protagonistas são bem mais malandros e “bons”, em conformidade com o modo como o autor vê o mundo. Nesta obra ressalta a linguagem jornalística com a sua objetividade, simplicidade e franca empatia com o leitor, características que estimulam a sua leitura fácil e entusiástica, mas onde não falta um final dramático…. de ir às lágrimas. — Dina Aguiar


A primeira vez que li A Crónica dos Bons Malandros nem queria acreditar. O Mário Zambujal pegou num pedregulho e atirou-o com jeito para o calmo e tranquilo lago da literatura caseira. As ondas de choque fizeram do livro um sucesso e, para quem ama as palavras, inaugurou a estrada da liberdade inteira. Sem preconceitos, maribando-se nas escolas literárias nos adoradores de cada uma capelinha, assumiu os seus bandidos como heróis e, ainda por cima, deu-lhes um banho de ternura. — Francisco Moita Flores


O retrato humoristicamente inesquecível dos tugas e cromos. — António Sala


Marcou-me pela simplicidade da escrita, clara e sintética, o tom satírico, o sentido de humor, expresso com pouca frequência na nossa literatura, pelo olhar compreensivo e ausência de julgamentos morais sobre a malandragem das personagens, justificada pelas suas próprias circunstâncias. Uma sátira cheia de cenas caricatas, daquelas que existem no nosso quotidiano mas às quais nem todos prestamos atenção, só mesmo o olhar generoso e fino do Mário Zambujal. — Ana Zanatti

Cr¢nica de Uma Morte Anunciada

Crónica de Uma Morte Anunciada

Gabriel García Márquez
Dom Quixote

Acusado, erradamente, de ter desonrado uma mulher antes do casamento, Santiago Nasar é condenado à morte sem que ninguém intervenha. Quem é, af’inal, o verdadeiro culpado?

Viagem a Portugal

Viagem a Portugal

José Saramago
Porto Editora

Depois de percorrer o nosso país de lés a lés entre outubro de 1979 e julho de 1980, o escritor natural de Azinhaga apresenta-nos um misto de narrativa, crónicas e recordações.

Balada da Praia dos C∆es

Balada da Praia dos Cães

José Cardoso Pires
Relógio D’Água

No arranque dos anos 60, em Portugal, é investigado o assassinato de um militar preso por tentativa de rebelião contra o regime salazarista.


Um retrato de uma realidade tristonha, pardacenta, sem espaço para o fogo e a alegria da liberdade criativa. Um retrato de uma vida triste como era a de muitos portugueses durante o Estado Novo. — Ana Zanatti

Livro do Desassosego

Livro do Desassossego

Fernando Pessoa
Assírio & Alvim

Este clássico de Fernando Pessoa, publicado 47 anos após a sua morte, transmite a angústia existencial do autor e as suas observações do mundo através de vários textos f’ragmentados. É assinado pelo semi-heterónimo Bernardo Soares.


Achei que este livro era um sobressalto, uma grande manifestação de talento e originalidade. É uma reflexão fundamental sobre o ser humano. — Mário Zambujal


A filosofia tem de ser convincente: ou contada como em Sócrates ou escrita como em Platão. Para que tal aconteça, temos de construir um estilo, uma maneira de ser. Pessoa fez-se poeta para poder ser filósofo e conseguiu-o no Livro do Desassossego. — Eduardo Souto de Moura


De expressão visceral e inconformista, dos tormentos da inadaptação a um estranho e cruento mundo, no qual a sua mente é virada do avesso. Surge então Bernardo Soares, defendendo assim a sua sanidade, talvez mesmo de si próprio. Mas isto é apenas conjuntura, pois o que importa é o poeta à frente do seu tempo. — Iei-Or (Da Vinci)


É um dos livros decisivos da literatura século XX. — Miguel Sousa Tavares


Para mim, a grande reflexão sobre o ser humano. — Lídia Franco


É mais um livro genial de Fernando Pessoa, um livro biográfico que tem como autor o semi-heterónimo Bernardo Soares no “raciocínio como na afetividade”. Um livro onde se revela uma extrema lucidez na análise multidisciplinar e na capacidade de exploração da alma humana. De leitura obrigatória para pessoanos e não só, para quantos desejem entrar pela porta grande no mundo complexo de Pessoa e, depois, descobrirem a sua constelação heteronímica. — Dina Aguiar

Memorial do Convento

Memorial do Convento

José Saramago
Porto Editora

Um soldado maneta, uma mulher com poderes e um padre que quer voar. Estas são três das ’figuras que o Nobel de Literatura acompanha durante o reinado de D. João V e que ajudam na construção do convento de Maf’ra.


Encontrámos nesta prosa brilhante não só um novo ritmo, como uma outra maneira de redigir e pontuar que abalou profundamente os rumos da escrita. É um monumento tão grande como o Convento de Mafra. — Ana Maria Magalhães


Excelente. Vale a pena reler. — Mário Zambujal


É o melhor Saramago de sempre. Obra Incontornável da nossa literatura. — Miguel Sousa Tavares


Em Memorial do Convento, José Saramago cruza a História, a ficção e o fantástico, com  personagens inventadas (e dotadas, como Baltazar e Blimunda) a par com figuras históricas de caráter exagerado ou excêntrico, como o rei D. João V, o magnânimo, ou ainda a sua consorte, a princesa austríaca D. Josefa, ou o padre Bartolomeu de Gusmão, ideólogo de uma Passarola que, tendo levantado voo de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, fugindo à inclemência da Inquisição, há de passar por Mafra, centro da tragicidade épica de um povo, até se despenhar algures na serra. Um romance que solidificou um estilo ímpar na escrita saramaguiana e que tem sido, nos últimos anos, de leitura e reflexão obrigatória no ensino secundário. — Dina Aguiar

As Cruzadas Vistas Pelos µrabes

As Cruzadas Vistas Pelos Árabes

Amin Maalou„f
Edições 70

Em vez de contar a história das cruzadas através do olhar ocidental, Amin Maalouf’ f’á-lo com base nos relatos dos árabes que viram os seus territórios invadidos.

As brumas de avalon

As Brumas de Avalon

Marion Zimmer Bradley
Saída de Emergência

Dividida em quatro volumes, a obra parte de perspetivas ’femininas para contar a ’famosa lenda do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda.

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