100 anos de grandes livros

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Assinalam-se este ano os aniversários da publicação de algumas das mais fantásticas obras literárias de sempre. São 100 anos de histórias impossíveis de esquecer.

Por Tiago Matos


1915 

Servidão Humana

W. Somerset Maugham

A obra-prima de Maugham acompanha um órfão afligido por uma deficiência física que se sente preso pelas convenções da época. Como o próprio autor era órfão (de mãe), afligido por uma deficiência física (gaguez) e se sentia preso pelas convenções (era homossexual), a crítica apressou-se a considerá-la autobiográfica. Maugham negou enquanto pôde, mas por fim lá admitiu: “Facto e ficção estão tão enleados no meu trabalho que quase sou incapaz de distinguir um do outro.”


➸ 1925 

O Grande Gatsby

F. Scott Fiztgerald

O vizinho de Nick Carraway não é um homem comum: Jay Gatsby é extraordinariamente rico e tem o hábito de organizar, todos os sábados, festas extravagantes na sua mansão em Long Island. Contudo, o interesse do misterioso magnata não se encontra nas opulentas celebrações, mas antes em Daisy Fay Buchanan, a prima casada de Nick. Em O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald pinta o retrato crítico da sociedade americana nos loucos anos 20.


 

➸ 1935 

História Universal da Infâmia

José Luís Borges

Na sua primeira antologia de contos, Borges pega em histórias reais de criminosos e distorce-as como se de ficção se tratasse, acrescentando-lhes, por exemplo, citações de livros e documentos inexistentes. A obra é melhor explicada nas palavras do contista argentino como “o jogo irresponsável de um tímido que não ousou escrever contos e se distraiu a falsear e tergiversar (sem justificação estética algumas vezes) histórias alheias”.


 

➸ 1945 

A Quinta dos Animais

George Orwell

Antes de morrer, o Velho Major, o porco mais respeitado da Quinta Manor, instiga os outros animais a revoltarem-se contra a tirania dos humanos que os exploram. Um grupo de porcos mais jovens assume então a liderança e cria o Animalismo, um sistema doutrinário que lhes serve de base à revolução. A fábula de Orwell, uma evidente sátira ao regime ditatorial de Estaline, levou mais de um ano a encontrar editora mas revelou-se um enorme sucesso.


 

➸ 1955

Lolita

Vladimir Nabokov

Não causa grande estranheza que um livro sobre um professor próximo dos 40 anos que se envolve sexualmente com uma aluna de 12 – a quem apelida carinhosamente de “Lolita” – tenha levado quase dois anos a conseguir uma editora. Nabokov resignou-se a publicá-lo numa editora cujo catálogo consistia, na sua maioria, em pornografia. Alguns meses depois, Lolita estava no epicentro de todas as discussões: alguns consideravam-no um dos melhores livros do século XX, outros apelavam à sua proibição. A controvérsia mantém-se até hoje.


 

➸ 1965

Duna

Frank Herbert

Uma nobre família de governantes atormentada por um poderoso imperador, um planeta arenoso e quase inóspito que esconde uma valiosíssima especiaria e uma narrativa épica sobre o futuro longínquo da humanidade e as eternas guerras da política. Em poucas palavras define-se o clássico Duna, vencedor do primeiro Prémio Nebula alguma vez atribuído e o mais vendido
– e, para muitos, melhor – livro de ficção científica de sempre.


 

➸ 1975

Cai o Pano – O Último Caso de Poirot

Agatha Christie

O genial detetive Hercule Poirot convoca Arthur Hastings, seu amigo de longa data, para o ajudar a desvendar um último grande caso na mansão Styles, onde viveram a primeira aventura. Mas Poirot está agora velho e débil e, na ausência de um crime, Hastings teme que a sua mente já não esteja em forma. Publicado em 1975, Agatha Christie escreveu Cai o Pano trinta anos antes, deixando instruções para que fosse publicado apenas no final da sua vida, a fim de fechar também a cortina sobre o pequeno inspetor belga de bigode retorcido.


 

➸ 1985

O Perfume

Patrick Süskind 

Abandonado pela mãe entre tripas de peixe numa praça parisiense do século xVIII, Jean-Baptiste Grenouille nasce com duas características muito especiais: um olfato excecionalmente desenvolvido e a ausência de odor próprio. Depois de uma infância na miséria arranja trabalho como aprendiz de perfumista, mas logo se deixa obcecar pelo desejo da criação do aroma perfeito. Com o seu primeiro (e, até ver, único) romance, Patrick Süskind deslumbrou a crítica e tornou-se ele próprio, tal como O Perfume, um nome de culto na literatura.


 

➸ 1995

Ensaio sobre a Cegueira

José Saramago

Uma inexplicável cegueira alastra-se pela população de uma cidade sem nome, num tempo desconhecido, abalando as fundações da sociedade e trazendo ao de cima os maus instintos humanos. Numa das mais populares obras de José Saramago, o autor constroi uma alegoria sobre dessensibilização, incapacidade de reação e medo.


 

➸ 2005

Os Homens que Odeiam as Mulheres

Stieg Larsson

Mikael Blomkvist, jornalista caído em desgraça, é recrutado para investigar o misterioso desaparecimento da jovem Harriet Vanger há 40 anos. Na sua missão conta com o auxílio de Lisbeth Salander, uma brilhante – mas emocionalmente perturbada – hacker, com
um enorme dragão tatuado nas costas. Publicado de forma póstuma por Stieg Larsson, Os Homens que Odeiam as Mulheres é um dos mais intensos (e populares) thrillers dos últimos anos.

 

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