10 livros que tens de ler antes de veres os filmes

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Helena Magalhães
Jornalista e escritora, acredita que quando a vida nos dá limões devemos largar o nosso emprego e tornarmo-nos escritores. Quando não está a ler e a mimar os seus gatos, poderão encontrá-la a escrever no Observador, no Brasil Post e, para uma dose de girl power, no seu blogue. É obcecada por literaturas clássicas, jazz, Lisboa e limonada.

“Oh, o livro é muito melhor.” Este é provavelmente o comentário que mais vezes faço quando saio do cinema. 

Não digo que os filmes não sejam bons, mas é humanamente impossível transpor para filme toda a magia de um livro sem quebrar parte dela. É por isso que sou a pior companhia no cinema – principalmente numa adaptação. Vou ficar a fazer comentários, observações e a apontar todas as falhas que deteto. Vou referir todas as partes do livro que não entraram no filme. E vou ficar zangada quando o filme não conseguir fazer jus a uma personagem que de alguma forma me marcou e não ficou tão bem representada. E se mudarem o final, é bem possível que fique possuída.

Resumindo e concluindo, há filmes cujos livros têm de ser obrigatoriamente lidos antes de as personagens serem encarnadas por atores que já conhecemos e antes de as adaptações darem novas interpretações às histórias. Só para que não haja mal-entendidos. Como A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins, e O Bebé de Bridget Jones, de Helen Fielding. Ambos neste momento no cinema.


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O Quarto de Jack

A história em si – uma rapariga raptada, escondida numa arrecadação e violada durante anos – já é poderosa o suficiente. Mas esta é a história de Jack, o seu filho – como se fosse escrita por ele. O filme é intenso, mas o livro é extraordinário. Há muitas partes que foram cortadas do filme e que, para mim, eram essenciais na compreensão do que é viver toda uma vida num quarto e, de repente, estar cá fora, numa realidade que não se conhece. É violento, profundo, duro de ler, mas absolutamente brilhante. Li-o em dois dias, porque não conseguia parar.

Autora: Emma Donoghue
Editora: Porto Editora


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Guia Para um Final Feliz

Este é um dos meus filmes favoritos e, para mim, uma representação do amor enquanto a mais poderosa arma que temos na vida. Mas o livro… o livro é genial. Até para uma pessoa que não seja um leitor regular, este é um bom presente para se oferecer. Os capítulos são pequenos, a escrita é leve e absolutamente divertida. E Pat – a personagem principal – poderia ser qualquer um de nós.

Autor: Matthew Quick
Editora: Editorial Presença


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A Vida de Pi

Se acham que é uma fábula sobre um rapaz que sobreviveu 227 dias num bote no Oceano Pacífico com um tigre – o maravilhoso Richard Parker – e que basta ver o filme (que vale mesmo muito a pena ver pelos efeitos especiais), estão a perder uma das melhores obras da literatura. Faz-nos pensar na nossa própria sanidade mental, nas ligações que se criam quando só nos temos a nós próprios e, acima de tudo, na fé. Só sobrevivemos quando temos fé.

Autor: Yann Martel
Editora: Editorial Presença


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Bridget Jones: Ele Dá-me a Volta à Cabeça

Não vão ao cinema ver O Bebé de Bridget Jones a pensar que é inspirado no último livro. É como se fossem duas histórias completamente diferentes e, por isso, duas doses de comédia: uma visual e outra literária. Porque é que têm de ler o livro antes? Porque (spoiler) é uma lição de vida: Mark Darcy morreu, Bridget tem dois filhos e precisa de continuar com a sua vida. E depois deste momento para respirar fundo e absorver a ideia de que o grande amor da sua vida morreu, tudo o resto é divertido e representa a busca de Bridget por um novo amor. Porque, e felizmente para todos nós, há sempre um novo amor…

Autora: Helen Fielding
Editora: Divina Comédia


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O Monte dos Vendavais

A versão de 2011 levou ao cinema este clássico numa adaptação moderna que conseguiu representar de uma forma brilhante o universo poético do século XVIII e XIX. Mas não conseguiu transmitir a violência e a intensidade do livro, o amor entre Catherine e Heathcliff e a loucura que pode acabar com a vida de um homem. Qualquer versão cinematográfica que vejam não vai conseguir ultrapassar a literária e vão ficar sempre coisas por dizer.

Autora: Emily Brontë
Editora: Editorial Presença


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O Rapaz do Pijama às Riscas

O filme é absolutamente fantástico, com cenários bem feitos e que nos transportam visualmente para o período da II Guerra Mundial. Mas o livro vai fazer-vos sentir – do ponto de vista de uma criança – o que foi o Holocausto. Não o podem considerar um livro histórico nem esperar qualquer ensinamento. Mas é uma história poderosa, emocionante e perturbadora. A amizade de Bruno, filho de um oficial do governo nazi, com uma criança judia, presa num campo de concentração – ambos separados por uma vedação.

Autor: John Boyne
Editora: Asa


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O Padrinho

Só li este clássico o ano passado e fiquei completamente colada ao universo dos Corleones. Logo depois, vi a trilogia cinematográfica e, se não tivesse lido, acho que não tinha entendido nem interpretado o filme da mesma forma. Honra, sangue, sexo, morte, dinheiro, negócios e uma viagem ao mundo da máfia que torna o leitor parte da família e, para lá da criminalidade, consegue criar afinidade com todas as personagens.

Autor: Mario Puzo
Editora: Bertrand Editora


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O Grande Gatsby

A última versão de 2013, com Leonardo DiCaprio, é visualmente fantástica e consegue transmitir a opulência e o caos vividos depois da I Guerra Mundial. Já para não falar da banda sonora magnífica. Mas peca por explorar pouco as personagens e o enredo em si – a devoção, a solidão, o amor, a tristeza, a loucura do coração e até onde as pessoas podem ir para serem aceites.

Autor: F. Scott Fitzgerald
Editora: Clube do Autor


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A Mulher do Viajante no Tempo

Este é um dos casos em que, se viram o filme, por favor leiam também o livro – mesmo que depois (foi o meu caso). É um romance estonteante e absolutamente emocional. Apesar de ter um bom filme, o livro torna a história ainda melhor: as viagens no tempo, os encontros entre as personagens e as emoções que conseguimos tirar daí. É uma leitura que nos deixa a pensar em conceitos como destino, tempo e o impacto que as nossas escolhas têm nas pessoas que vivem connosco.

Autora: Audrey Niffenegger
Editora: Editorial Presença


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A Rapariga no Comboio

O filme vai estrear na próxima semana, por isso ainda vão a tempo de ler antes. Independentemente de o filme ser bom ou mau, este é um thriller sobre segredos, sobre aquilo que realmente são as pessoas à nossa volta, e um estudo do lado negro que por vezes a mente humana pode ter. É um daqueles livros a que ficamos colados, com um enredo arrebatador e um mistério: o que aconteceu a Megan?

Autora: Paula Hawkins
Editora: Topseller


 

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