
Detesta livros de Natal? Então vai adorar estes livros de Natal!
A ÉPOCA NATALÍCIA aproxima-se a passos largos, trazendo consigo infindáveis reposições de Sozinho em Casa e os Wham! a cantar “Last Christmas” até à exaustão. Multidões impregnadas de espírito festivo preparam nesta altura a corrida aos centros comerciais, em busca dos melhores presentes. Há, no entanto, quem não as acompanhe no entusiasmo. São, na maior parte dos casos, pessoas que discordam do significado religioso, da sentimentalidade exacerbada ou ainda do intenso comercialismo inerentes à data. São também, por norma, pessoas que não gostam de ler livros de Natal. O que as torna o público ideal para um subgénero literário que se dedica a subvertê-lo.
PERSONAGENS QUE DETESTAM O NATAL
Os livros que melhor ilustram os defeitos do Natal estão geralmente centrados em figuras que o abominam. E haverá personagem mais avesso aos valores tradicionais do Natal que Ebenezer Scrooge? O amargo e avarento protagonista de Uma Canção de Natal até pode alterar alguns dos seus comportamentos com o decorrer da história mas não será, no seu início, o convidado da Consoada preferido de ninguém. Muito semelhante é Grinch, uma solitária criatura saída da imaginação de Dr. Seuss que, irritada com a felicidade alheia durante a época festiva, decide roubar todos os presentes e decorações que encontra. Um pouco mais simpático mas igualmente desconhecedor do espírito de Natal é Jack Esquelético, protagonista de O Estranho Mundo de Jack, que decide tomar o lugar do Pai Natal e dar um tom mais macabro à data. Será, ainda assim, uma imagem mais agradável que a do livro Hogfather, no qual quem toma o lugar do simpático velho barbudo é nada menos que a Morte.
MISTÉRIOS QUE MARCAM O NATAL
Por falar em morte, e porque nem só de personagens bizarros se faz este subgénero, muitos autores escolhem associar uma data supostamente feliz e tranquila a intricados crimes e mistérios. É o caso de Agatha Christie, que, em O Natal de Poirot, aproveita a data para fazer o seu célebre inspetor belga investigar a morte de um homem tirano a quem cortaram a garganta na noite da Consoada. Também Anne Perry vê o Natal como uma época ideal para o crime, tendo já publicado 15 policiais “natalícios”. Notando a tendência, Otto Penzler reuniu num único volume – The Big Book of Christmas Mysteries – 60 histórias de crime situadas no Natal, escritas por nomes como Arthur Conan Doyle, Robert Louis Stevenson, Mary Higgins Clark e Ellery Queen, entre muitos outros.
MENSAGENS QUE SUBVERTEM O NATAL
Seja qual for o formato ou público-alvo, este tipo de livros assume geralmente um tom distinto dos livros tradicionais de Natal. É o caso de História de Natal de Auggie Wren e O Anjo mais Estúpido. Ambos se passam no Natal mas não se leem verdadeiramente como livros de Natal, o primeiro pela interpretação mordaz que faz da data e o segundo pelo humor absurdo com que a subverte. Há ainda histórias que aproveitam para deixar mensagens. No conto “The Gift of the Magi” (incluído na antologia 41 Stories), O. Henry dá a conhecer um casal extremamente pobre com dificuldade em obedecer às convenções comerciais da época: a mulher vende o cabelo para poder oferecer uma corrente para o relógio ao marido; o marido vende o relógio para poder oferecer uma caixa de acessórios para o cabelo à mulher. Um desfecho adequado para um subgénero que vive de contrastes e ironias.
Livros de Natal
Para quem detesta livros de Natal
THE BIG BOOK OF CHRISTMAS MYSTERIES
Otto Penzler
Random House
A CHRISTMAS HOPE
Anne Perry
Headline Publishing Group
O ANJO MAIS ESTÚPIDO
Christopher Moore
BIS
HOGFATHER
Terry Pratchett
Corgi Books
HOW THE GRINCH STOLE CHRISTMAS!
Dr. Seuss
Random House
O NATAL DE POIROT
Agatha Christie
Asa
41 STORIES
O. Henry
Signet
UMA CANÇÃO DE NATAL
Charles Dickens
Kalandraka

