Os 10 Livros da Minha Vida: Mário de Carvalho

Mário de Carvalho

Idade: 71 anos
Profissão: Escritor
Nacionalidade: Portuguesa
Nasceu em Lisboa, em setembro de 1944, mas tem uma forte ligação ao Alentejo. A mãe ensinou-o a ler ainda antes dos 5 anos e a paixão pelas letras vive consigo desde então. Licenciou-se pela Faculdade de Direito de Lisboa e foi advogado e professor, mas nunca abandonou a escrita. Foi distinguido, ao longo da carreira, com diversos prémios literários.

1. Crónica d’El Rei D. João

Fernão Lopes

A nacionalidade confirma-se. O país fervilha. A escrita deslumbra. Nós somos feitos disto. Fernão Lopes não há meio de se calar.

 

2. História Trágico-Marítima

Desde o texto mais simples e hesitante, não menos comovente, à obra-prima de narração (João Baptista Lavanha). O que a gente sofreu. E resistiu. E sobreviveu. Tudo no batel.

 

3. Peregrinação

Fernão Mendes Pinto

As aventuras do trota-mundos. “Treze vezes cativo e dezasseis vendido.” Ponham um dedo no mapa do Oriente. Lá está, o tal Fernão Mendes. A contar, a contar…

 

4. Sermões

Padre António Vieira

Não sei quem terá, por aí, tal imaginação vocabular e imagética e tão devastador domínio duma língua. Shakespeare, talvez.

 

5. Viagens na Minha Terra

Almeida Garrett

Eia! Aí está a alegria do texto e da inventiva a traquinar por esse Portugal afora. “Exo-lo vai, exo-lo vem, e não passa de Santarém.” E uns olhos verdes que encantam e perturbam desde a nossa mais remota Idade Média.

6. A Brasileira de Prazins

Camilo Castelo Branco

O primordial século XIX em ebulição. Guerra Civil e enganos. Quem é que na Europa escreve assim, com tanta graça, desenvoltura e astúcia?

 

7. Polémicas de Eça de Queirós

Saliento a “Brasil–Lisboa”, contra Pinheiro Chagas. Um dos textos mais divertidos (ousemos declarar: cómicos!) que jamais se escreveram em qualquer lado do mundo.

 

8. A Casa Grande de Romarigães

Aquilino Ribeiro

“… Um pecado é tantas vezes o degrau que se tem de subir para alcançar o caminho do bem e da glória.” Atenção: a narrativa mais marcante e avassaladora do século XX português. Não há como passar adiante. Um lastro desafiador. Joelho em terra.

 

9. Os Caminheiros

José Cardoso Pires

A exemplaridade simples, o jogo dos claros-escuros, o movimento, num mínimo de palavras, enxutas, soberbamente combinadas. Muito acima das suas influências americanas.

 

10. Memorial do Convento

José Saramago

Desfechou prémio Nobel. Em boa hora. Um dos grandes romances do século XX. E o século XX, como alguém disse, é o “século de ouro da prosa portuguesa”.

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