10 livrarias imperdíveis

Os livros são a companhia dos viajantes, a perdição dos poetas. As livrarias são uma obsessão para quem ama a leitura e muitas são viagens dentro da própria viagem. De Portugal aos EUA , encontrámos dez livrarias que não pode perder pela sua história, património e beleza.

 

I. Argosy Books
Nova Iorque, EUA

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“Bill Clinton é um cliente regular”, conta uma das herdeiras de Louis Cohen, fundador da Argosy. Adina Cohen gere com as irmãs a mais antiga livraria independente da Big Apple. A coleção de 200 mil livros é “fabulosa e variada”. Primeiras edições autografadas com preços acima das dezenas de milhar de dólares convivem com obras de um dólar. Por 65 mil dólares pode levar-se para casa uma primeira edição de Ulisses de James Joyce. Fechados a sete chaves, estão documentos oficiais assinados por George Washington e Thomas Jefferson.

II. Lello & Irmão
Porto, Portugal

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Primeira surpresa ao entrar na centenária livraria: não se sente o cheiro dos livros. A fragrância é outra, a das madeiras. As escadas encarnadas que serpenteiam o centro da loja, guiando o olhar para o vitral colorido que ostenta a divisa Decus in Labore ou Dedicação ao Trabalho, são a atração principal, assim como os bustos de autores portugueses que observam, impávidos, o corrupio de turistas. Fundada em 1869 por Ernesto Chandron foi, posteriormente, vendida a José Lello, e é a sua família que ainda hoje gere o negócio. O atual edifício na Rua das Carmelitas é um dos mais belos exemplares de Arte Nova no Porto.

III. Alta Acqua
Veneza, Itália

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Acqua, assim como os venezianos, vivem no fio da navalha. Na primavera e em mais de uma dezena de ocasiões ao ano, as marés altas de Veneza invadem esta livraria a poucos passos da famosa Praça de São Marcos. Nada que atormente o proprietário Luigi
Frizzo. A coleção de obras novas e usadas, em várias línguas, está bem protegida num dos ex-libris da livraria – uma gôndola em
tamanho real – e em banheiras, tanques e canoas. As águas sobem, os livros flutuam.

IV. Atlantis
Ola, Grécia

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É um dos melhores locais do mundo para ler. “Nos dias mais claros vê-se a ilha de Creta e o confronto com a magnanimidade da natureza torna-nos introspetivos”, diz Craig Walzer. Ele e um amigo chegaram a Santorini, em 2002,para umas férias. “Numa semana lemos todos os livros. Procurámos uma livraria e não havia nenhuma. No dia seguinte decidimos abrir uma.” Um ano e meio depois abre, com vista privilegiada para o Mediterrâneo, a Atlantis. A livraria é um oásis, entre o turismo de luxo que tomou conta da ilha. Craig organiza festas, um festival de cinema e eventos literários. Os turistas que batem à porta à procura da “obra fácil” são persuadidos a comprar, por exemplo, um Truman Capote.

V. El Ateneo

Buenos Aires, Argentina

No mesmo palco onde, outrora, Carlos Gardel cantou o tango, os amantes literários bebem hoje café e folheiam um livro. El Ateneo, um antigo teatro, é uma das maiores e mais belas livrarias da América do Sul. Os livros estão em exposição no anfiteatro e os antigos camarotes servem de salas de leitura. O mobiliário original, a iluminação, o palco com as cortinas entreabertas e os frescos no tecto assinalando o final da I Guerra Mundial, permanecem intocáveis. Mais de 200 mil livros estão à venda no edifício da  Avenida Santa Fé, inaugurado em 1919.

VI. Shakespeare and Company

Paris, França

2Company É uma das livrarias mais charmosas de Paris. Um refúgio para os escritores e ponto de encontro dos americanos. A S&C
teve duas moradas na margem esquerda do Sena. A primeira foi gerida por Sylvia Beach de 1919 a 1940,  ano da ocupação de
Paris pelas tropas alemãs. Ernest Hemingway passava ali os dias e James Joyce e F. Scott Fitzgerald também eram visitas regulares. A atual livraria fundada em 1951 por George Whitman fica em frente a Notre Dame. Embora seja um local de culto no meio literário é também um ponto turístico..

VII. Poplar Kid’s Republic
Pequim, China

Mais do que uma livraria é um parque infantil vanguardista com livros e esconderijos por toda a parte. Uma fita de cem metros com as cores do arco-íris, tão garrida quanto as capas dos livros infantis, percorre a loja desde o hall até ao primeiro andar. Brincar é regra e até se pode trepar para as prateleiras. A única livraria especializada para crianças na China dispõe de mais de três mil livros
ilustrados em várias línguas. A Poplar, propriedade de uma editora japonesa, procura estimular a curiosidade dos mais pequenos: não faltam áreas para jogos e, aos fins de semana, há sessões de leitura e atividades culturais

VIII. Selexyz Dominicanen Boekhandel
Maastricht, Holanda

Considerada em inúmeras listas a livraria mais bonita do mundo, foi, durante muito tempo, uma igreja abandonada e um depósito
de bicicletas. Até que, em 2007, a Selexyz decidiu comprar esta igreja dominicana reconvertendo-a num templo da literatura. É uma livraria sublime, uma perfeita simbiose entre uma estrutura neogótica com mais de 800 anos e os modernos interiores que acolhem milhares de livros em prateleiras de três andares, ligadas por um intricado sistema de elevadores, passagens e escadotes.

IX. Bart’s Books
Ojal, EUA

A Bart’s abriu em 1964 como uma venda de rua e é hoje considerada a maior livraria ao ar livre do mundo. À sombra das macieiras ou no pátio interior, onde se pode jogar xadrez e beber limonada, realizam-se todas as semanas eventos comunitários e atividades culturais. A livraria é um dos pontos de encontro em Ojai, arredores de Los Angeles. Quem visita o espaço conta que é fácil perder-se horas a fio entre as bancadas de livros baratos e de primeiras edições raras.

X. La Villa del Libro
Uruenã, Espanha

2Com 200 habitantes, este pequeno burgo medieval, da província de Valladolid, tem a literatura como modo de vida. Toda a vila, castelo incluído, está focada no comércio e no estudo dos livros. Dentro das muralhas há mais de dez livrarias e um museu de promoção do Livro e da Cultura com uma biblioteca especializada, oficinas e uma área de investigação bibliográfica. É também no
coração da vila que está patente uma exposição permanente sobre a evolução do livro.

Rita Vaz da Silva

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