10 grandes vilões da literatura

Adoramos odiá-los e passamos o tempo inteiro a torcer contra eles, mas o que seria de uma grande história sem um grande vilão? Conheça 10 dos mais desprezíveis (e icónicos) de sempre.


Patrick Bateman

Psicopata Americano

Patrick Bateman não é um vilão comum. Desde logo porque não vive nas sombras – é antes o narrador e protagonista da história. Depois, porque representa um tipo de pessoa com a qual nos habituámos a conviver e até a invejar. É rico, atraente e bem-sucedido a nível profissional. Alimenta, contudo, as mais mórbidas fantasias para conseguir lidar com as exigências e com o superficialismo do seu estilo de vida. Através dele acompanhamos na primeira pessoa crimes verdadeiramente hediondos, mas não lhe conseguimos retirar por inteiro a razão, algo que o torna ainda mais assustador.


 

Voldemort

Harry Potter

“Aquele cujo nome não deve ser pronunciado.” Nos primeiros livros da célebre saga de J. K. Rowling é assim que Voldemort é tratado por todos aqueles que temem o seu poder. Responsável pela morte dos pais de Harry Potter, é um feiticeiro sádico que tem como ambições o poder supremo e a imortalidade. O aspeto reflete a monstruosidade do caráter: pele muito pálida, quase branca, com olhos vermelhos e sem cabelo, lábios ou nariz.


 

Baco

Os Lusíadas

Embora um dos mais memoráveis vilões da epopeia escrita por Luís de Camões seja o gigantesco Adamastor, é a Baco que cabe o papel de inimigo-mor dos portugueses. Este deus da mitologia romana dificulta ao máximo a aventura lusitana rumo à Índia, alegando que o seu eventual sucesso fará com que sejam esquecidas as suas próprias conquistas no Oriente. Na sua tentativa de deter os navegadores, Baco engana, manipula e alia-se a entidades tão poderosas como Neptuno, revelando-se um antagonista à altura do heroísmo português.


 

Drácula

Drácula

Inspirado numa figura real da História – Vlad, o Empalador –, Drácula é um dos vilões mais conhecidos de sempre na ficção. Nobre oriundo da Transilvânia, destaca-se pelo charme, inteligência e cordialidade. Quando o conhecem, não passa pela cabeça das suas vítimas que um homem tão encantador possa na verdade ser um vampiro sedento de sangue. Mas é. Detentor de poderes sobrenaturais que se diz ter ganho de acordos com o próprio Diabo, Drácula tem também várias fraquezas, evidentes quando em contacto com alhos, crucifixos e outros objetos religiosos.


 

Annie Wilkes

Misery

Stephen King é responsável pela criação de muitos dos mais memoráveis vilões da literatura moderna – entre os quais James “Big Jim” Rennie, Pennywise ou Randall Flagg –, mas Annie Wilkes pertence a uma categoria à parte, mais não seja pelos profundos contrastes de personalidade. Por um lado, é uma ex-enfermeira profundamente conservadora e incapaz de dizer um palavrão; por outro, é paranoica, depressiva, irascível, violenta e dada a obsessões como a que a leva a torturar o seu escritor preferido em Misery.


 

Iago

A Tragédia de Otelo, o Mouro de Veneza

Muito longe vai um pouco de rancor. Iago é referido por muitos críticos e autores como o maior vilão alguma vez imaginado por William Shakespeare, e tudo começa com uma simples promoção que não lhe cabe. Desagradado com a “injustiça” perpetrada pelo líder Otelo, este soldado faz uso da imagem de homem íntegro, dedicado e digno de confiança para destruir o comandante de há longos anos a todos os níveis. É maquiavélico, manipulador e um dos mais sinistros personagens levados a palco pelo bardo inglês.


 

Anton Chigurh

Este País Não é Para Velhos

Há muitos psicopatas na literatura, mas poucos – ou nenhum – como Anton Chigurh. Na sua função de assassino contratado, este homem de pele escura e olhos azuis é-nos apresentado como um homem vazio, quase uma máquina, capaz de matar indiscriminadamente sem prazer ou remorsos. Por vezes deixa a decisão nas mãos do destino: atira uma moeda ao ar e se a potencial vítima acertar a face da moeda que fica virada para cima, Chigurh deixa-a viver. Pouco mais se sabe sobre ele, o seu passado ou as suas motivações. E isso é o mais assustador.


 

Holden

Meridiano de Sangue

Mais um grande vilão nascido na mente de Cormac McCarthy (embora tenha como inspiração uma figura histórica real). Holden é um juiz que governa a seu bel-prazer a fronteira entre o estado americano do Texas e o México, em meados do século XIX. Talvez o mais desprezível vilão desta lista, tem mais de dois metros, é completamente desprovido de pelos no corpo e lidera um gangue de assassinos e violadores. As excentricidades continuam: raramente dorme, adora dançar e está perfeitamente convicto que nunca há de morrer.


 

Edward Hyde

O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde

Edward Hyde é uma criatura pequena e repugnante. São de tal forma negativas as vibrações que emite que todas as pessoas com que se depara se afastam quando o veem na rua. Têm razão em fazê-lo. Hyde é violento, impulsivo e tem uma forte apetência pelas sombras. Surge na novela de Robert Louis Stevenson como a personificação de tudo o que é mau. E, no entanto, à medida que os detalhes do enredo vão sendo desvendados, fica-nos a dúvida sobre quem será afinal o maior vilão: o asqueroso Mr. Hyde ou o nobre Dr. Jekyll?


 

Big Brother

1984

Embora O’Brien surja como a face mais palpável do mal no romance distópico de George Orwell, o Big Brother é o seu verdadeiro vilão. E nem se trata de uma pessoa, mas antes de um símbolo, uma entidade tirana e omnipresente conhecida por todos e, em simultâneo, por ninguém. A personificação de uma sociedade totalitária sem respeito pelos direitos humanos. Não é caso único na literatura, mas este Big Brother passou à cultura popular como um vilão icónico e mais assustador que qualquer monstro ou vampiro de que nos possamos lembrar.


Por: Tiago Matos

Gostou? Partilhe este artigo: